Grupo de escoteiros dos EUA encobriu estupros por décadas

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Publicado sexta-feira, 19 de outubro de 2012 as 09:52, por: cdb

Uma série de autoridades do Oregon, nos Estados Unidos, encobriram por quase três décadas casos de pedofilia praticados por chefes do Boy Scouts of America, um dos maiores grupos de escotismo do país. Por ordem da Corte Suprema do estado, foi aberto um dossiê que comprova que chefes locais de polícia, bem como promotores e lideranças religiosas, participaram discretamente do esquema entre os anos de 1959 e 1985.

Os documentos registram alegações de abuso sexual em todo o país, da pequena cidade de Adirondacks, em Nova York, à capital do estado da Califórnia, Los Angeles. Desde 1959, cerca de cinco mil chefes-escoteiros foram expulsos do Boy Scouts of America sob suspeita de molestarem crianças.

À época, as expulsões eram justificadas como necessárias pra preservar a reputação e os projetos sociais da organização. No entanto, detalhes presentes nas mais de 14 mil páginas do dossiê provam que a instituição recorreu a manobras políticas e jurídicas para manter os supostos crimes em silêncio.

Essas provas estão arquivadas na sede do Boy Scouts of America e incluem memorandos da cúpula da organização, cartas redigidas por supostas vítimas e recortes de matérias publicadas pela imprensa norte-americana sobre o tema. Embora haja detalhes sobre pedófilos confessos, também estão presentes alegações infundadas.

Por 26 anos, os escoteiros conseguiram manter vários dos suspeitos fora dos postos de liderança. No entanto, a própria organização admite que omitiu da polícia pelo menos um terço dos casos de abuso. Em diversos casos, há evidência de que o Boy Scouts of America teve “compaixão” dos suspeitos, preferindo confiá-los a pastores e psiquiatras do que às autoridades.

Um dos casos mais sintomáticos do escândalo de pedofilia entre os escoteiros ocorreu em Louisiana, em agosto de 1965, quando um dos membros da organização confessou ter estuprado três jovens, mas, ainda assim, não foi indiciado. Em carta à sede do Boy Scouts of America, seis dias após a denúncia da mãe de uma das vítimas, o diretor estadual revelava que o responsável pelo crime não seria processado para “preservar o nome do escotismo”.

O porta-voz da Boy Scouts of America, Deron Smith, emitiu um comunicado nesta terça-feira (18) e alegou que “não há nada mais importante do que a segurança de nossos escoteiros”. Ele admite que houve momentos em que as respostas da organização a casos de abuso sexual foram “claramente insuficientes, inapropriadas ou equivocadas”. Smith estendeu às supostas vítimas e seus familiares “seus mais profundos e sinceros sentimentos”.

No início do mês, a Boy Scouts of America publicou as conclusões de uma auditoria interna sobre o tema. Jennifer Warren, psiquiatra que coordenou o levantamento, concluiu que, das 1622 supostas vítimas dos chefes de escotismo, 1302 estavam envolvidas em atividades da organização. Os casos restantes teriam ocorrido em contextos desvinculados dos exercícios de escotismo.

No entanto, Warren alega que “a taxa de abuso sexual entre os escoteiros é muito baixa”, já que se revela inferior ao registrado pelo Departamento de Saúde dos Estados Unidos por todo o país. Ela julga a taxa de 1,4 a 2,1 casos de estupro para cada 100 mil membros algo aceitável diante da média nacional.

Fonte: Opera Mundi

 

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