Grupo de deficientes físicos estréia musical em SP

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Publicado segunda-feira, 1 de dezembro de 2003 as 11:17, por: cdb

Em “Noturno”, que estréia nesta segunda-feira em São Paulo, no Teatro Dias Gomes, os números são todos feitos em cadeiras de rodas 

Com agilidade e rapidez, eles se movimentam no palco. Um grupo de 17 deficientes físicos, em cadeiras de rodas, estréia hoje na cidade o musical Noturno. São cenas difíceis, e os atores, com diferentes tipos de deficiência, conseguem interpretá-las superando as limitações. O espetáculo, que conta as muitas faces da noite na Capital, tem uma hora e 10 minutos de duração. Algumas tomadas exigem que os atores se movimentem pelo palco, rapidamente e no escuro.

-Foi uma das cenas mais difíceis para o grupo-contou o diretor Deto Montenegro, de 41 anos.

Com 22 anos de carreira, ele disse que se sente como se estivesse apresentando seu primeiro espetáculo. “É um universo novo que estamos descobrindo juntos, ou seja, transformar cadeiras de rodas em arte”, afirmou o autor, que durante oito meses treinou seus alunos no curso Oficina dos Menestréis. Nesse período, Montenegro fez questão de tratar seus estudantes com deficiências da mesma maneira que os demais. Não poupou exigências e broncas. Mas a disciplina fez com que superassem as dificuldades no palco.

-Eu dizia o tempo todo que não estava fazendo caridade, porque eles não precisavam disso. Estávamos fazendo arte.- disse. 

Para o grupo, que é composto de 11 homens e seis mulheres, a experiência no palco é inédita. Mas todos são unânimes em afirmar que o curso e a encenação do musical estabeleceu vínculos fortes entre eles. Afinal, todos partilham dos obstáculos que São Paulo impõe para os deficientes. Sempre sorridente e bom astral – como ela mesmo gosta de se definir -, Tabata Carolina Santos Contri, de 23 anos, afirma que, antes de ter sofrido lesão medular, jamais tinha pensado em fazer teatro.”Trabalhava de domingo a domingo sem tempo de fazer outra coisa”. Para ela, a peça é um grande exemplo de inclusão social.

No próximo réveillon, vai fazer três anos que a jovem sofreu um acidente de carro que a deixou impossibilitada de andar. Segundo ela, pesquisas com células-tronco podem trazer esperanças, mas num futuro ainda distante: “E não vou ficar esperando. Quero viver com intensidade o agora”.