Gritos e celebrações de agosto

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Publicado segunda-feira, 5 de setembro de 2011 as 11:46, por: cdb

Mêsintenso. Inúmeras lutas e celebrações. Mobilizações por esse Brasil e mundãoafora. Enquanto se mostrava nacionalmente as enormes máquinas ferindo a MãeTerra, a revolta e indignação contra a barbaridade da hidrelétrica de BeloMonte ecoou das profundezas da natureza aos fortes ventos e furacões de agosto.Não dá mais para calar a rebelião. As violências e agressões são tantas e tãoinfames, que nos resta inflamar a sagrada ira de clamor e luta pela vida, pelanatureza agredida, pela Mãe Terra sendo destruída, pela paz sendo banida!

Pyelito Kue e Mbaraka’i – rastros de umaguerra secular

Tonico Kaiowá faz avez de um repórter de guerra. Um frágil celular e um computador, são os canaisque transmitem a dor diária das agressões, dos ranchos destruídas, do temor deum novo ataque eminente. Relata a hora e a intensidade dos tiros, do fogo, dafuga desesperada, dos ferimentos e dos desaparecidos. Retrata com a fidelidadee a emoção e o compromisso com seu povo permitem. Fala da fome que acoitavelhos, crianças e adultos, provocando desespero.

Umabsurdo. Uma centena de nativos querendo apenas um pedaço de sua terratradicional para sobreviver, armados apenas de sua disposição de viver e deseus direitos sagrados na lei e no chão, sendo tratados como bandidosinvasores. Os heroicos Kaiowá-Guarani enfrentam as forças armadas doagronegócio com o escudo e certeza dos Nhanderu, de Tupã, com a grandeza eespiritualidade que o deus do capital, da acumulação, do mercado, jamais conseguirãodestruir a resistência, paciência e persistência do povo Kaiowá-Guarani.Representante do ministério público esteve no local e constatou a brutalidade,violência e destruição feita pelos pistoleiros e capangas dos fazendeiros,conforme é possível constatar nas fotos.

Apósdenúncia das violências a polícia federal de Naviraí foi ao local.Estranhamente não permitiu a presença da Funai, preferindo ir em companhia dofazendeiro. Obviamente que não viram os índios. Foi o suficiente paraespalharem a notícias de que não havia índios na região.

Também a políciamilitar e civil do Estado se fez presente para ameaçar os índios conformeescreveu Avá “Os parentesindígenas Guarani e Kaiowá de Jaguapire e Pyelito kue ligaram pra mim e paratodos, várias vezes, contando que Policiais Civis e PM do Estado-MS compareceuno acampamento, avisando que pra não ficar ali acampados, nem matar vacas,encheu sacos dos indígenas. Tiraram as fotos da Civis. Além disso, contaram quena região não deixando mais entrar a pessoa que leva comida ao grupo atacado,para impedir Policia Civis está fazendo barreiraao longo da estrada ouasfalto BR que liga entre cidade Amambai, Tacuru e Iguatemi, parando todos oscarros, avisando não é pra levar comida e nem nada para o grupo indígenaatacado, que hoje em diante não deixará entrar pessoa seja indígena ou nãoindígena com acomida lá em acampamento via Sassoro. Puxa! Dessa forma aPC e PM está contribuindo com o genocídio, desrespeitando o principio dosdireitos Humano. Esta é ultima informação de hoje 26/08/2011”.

Marchas e flores

Marchamas margaridas em frente à casa de Dilma. Marcham os Kaiowá-Guarani sob asamarelo-douradas flores da sibipiruna, em Dourados. Gritam os sem terra em Brasília,ecoam as vozes pelo mundo contra Belo Monte de destruição, de povos e da vida.

Avida pede passagem. A dor da revolta incendeia os guerreiros que estavam àsobra das árvores destruídas. As águas poluídas pela ganância do latifúndio edo agronegócio se lançam contra as turbinas da morte e da acumulação.Empreiteiras e empreitadas afiam suas armas em seus berços verdes de dólaressaqueados e saciados com a cumplicidade do poder.

Pequenas vitórias, grandes esperanças

Yta’i, completahoje um ano. Retomaram um pequeno espaço de seu tekohá. Ali fincaram a bandeirada esperança. Neste ano conseguiram construir uma importante e indispensávelcoesão do grupo, construíram uma “oga pisy” (casa de reza) e fizeram o ritual dabenção do milho branco (saborô). A maioria dos barracos estão cobertas de sapé.Um certo clima de tranquilidade parece marcar a passagem de acampamento aaldeia.

Estãoaguardando a publicação do relatório de identificação da área, que estará sendoentregue conforme cronograma acertado entre o Ministério Público e Funai.

Fomosaté a comunidade para levar nossa solidariedade nessa celebração de um ano daretomada. Tempo marcado por tensões, mas também de crescimento da esperança.

Vimosjuntos o vídeo da retomada, e outros vídeos da luta dos povos indígenas no MatoGrosso do Sul.

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