Greve: UFF continua sem previsão de retorno às atividades

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Publicado quarta-feira, 23 de setembro de 2015 as 11:44, por: cdb

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro:

A Universidade Federal Fluminense (UFF), que se aproxima dos 120 dias em greve, segue paralisada e sem previsão de acordo para a volta às aulas. Segundo o coordenador-geral do Sindicato de Trabalhadores em Educação da Universidade Federal Fluminense (Sintuff), Pedro Rosa Cabral, o cenário pelo qual a universidade passa é preocupante.

De acordo com Cabral, o principal protesto é contra o corte de verbas para as instituições federais. “É a reivindicação que impulsiona todo o movimento. O governo adota um discurso de crise econômica, de dificuldades, mas a gente sabe que em outras áreas, com outros temas não tão importantes, despeja-se dinheiro. Fazendo um exercício de suposição: se a greve acabasse amanhã, muitos setores da faculdade continuariam sem funcionar por causa disso”.

A Universidade Federal Fluminense (UFF), que se aproxima dos 120 dias em greve, segue paralisada
A Universidade Federal Fluminense (UFF), que se aproxima dos 120 dias em greve, segue paralisada

Segundo ele, há serviços que já estavam comprometidos desde antes da paralisação. “A área de atendimento odontológico, o bandejão e outros. Temos funcionários que compram utensílios, produtos, do próprio bolso, para exercer o seu trabalho. É uma tática de estrangulamento”, disse.

Em assembleia nessa terça-feira, a Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra), orientou que seus filiados aceitem proposta oferecida pelo governo de reajuste salarial de 5%.

O sindicato, de acordo com Cabral, não seguirá a orientação da Fasubra e seguirá com suas atividades suspensas. “É uma proposta que classifico como indecente. Não existe possibilidade de aceitarmos algo assim. A greve segue e com adesão completa, como sempre foi. Nada funcionando”, afirmou.

Segundo a UFF, no dia 16 de setembro, membros do sindicato obstruíram o prédio da reitoria, impedindo o funcionamento da instituição e, “de maneira agressiva, cercearam o direito de ir e vir de docentes, técnicos administrativos e estudantes que dependem da reitoria para desenvolver suas atividades”.

Em nota, a universidade diz que o episódio é uma violação da lei. “Equivocadamente, esses setores parecem presumir que a situação de greve significa uma espécie de retorno à barbárie, ao ‘vale tudo’, à qual não se aplicam as leis ordinárias. Não é assim”.

Também em nota, o Ministério da Educação afirma que continua aberto ao diálogo com todas as entidades representativas dos docentes e técnicos administrativos das instituições federais, e que os servidores já receberam aumento salarial. “O MEC tem acompanhado a mesa de negociação salarial com as entidades representativas e o Ministério do Planejamento. Vale lembrar que em 2015 docentes e técnicos administrativos das instituições federais já tiveram reajuste por causa do acordo de 2012”.