Greve em Curitiba pode afetar abastecimento de água

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sexta-feira, 30 de abril de 2010 as 11:19, por: cdb

A população de Curitiba pode ter o abastecimento de água e o tratamento de esgoto comprometidos a partir de segunda-feira, com a greve dos trabalhadores das estações de Tratamento de Água e Esgoto e do Centro de Controle Operacional da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) na capital e região metropolitana.

Segundo o presidente do Sindicato dos Químicos de Curitiba (Siquim), Elton Marafigo, com a greve, apenas 30% estarão atuando para manter um serviço básico à sociedade mas, mesmo assim, a população pode sofrer com a falta de água e de tratamento de esgoto.

– Os profissionais que vão ficar trabalhando podem não dar conta da grande demanda, pois a cada segundo são 3 mil litros de água que passam pela estação. Nesse volume, eles têm que fazer as análises e os tratamentos para atender a Portaria 18 do Ministério da Saúde –, afirmou.

 O sindicalista disse ainda que teme que os profissionais sofram com a sobrecarga e que a população fique sem água e que não é isso que a categoria deseja.

– Já tentamos negociar de várias formas com a Sanepar, mas está bem difícil de a empresa querer encaminhar uma solução para o problema –, explica.

Segundo o sindicato da categoria, há quatro reivindicações. A primeira é a indenização das horas suprimidas – até setembro de 2009, os funcionários trabalhavam oito horas por dia e recebiam horas extras, que representavam quase 40% do salário. Com a mudança para seis horas diárias, eles deixaram de receber cerca de R$ 500, que complementava a renda, e não foram indenizados, como manda a legislação trabalhista.

A segunda reivindicação é o adicional de turno, um valor pago a mais referente à mudança semanal de turno.

– Toda semana, eles trabalham em turnos diferentes, o que causa alteração no relógio biológico e transtornos na vida social e familiar dos trabalhadores –, lembra o sindicato.  

Outra reivindicação é o fornecimento de transporte pela empresa nos horários em que não há ônibus público, especialmente entre a zero hora e as 6h. Por último,  os trabalhadores exigem uma escala humana de trabalho, que atenda às necessidades da empresa e dos funcionários.

A proposta da Sanepar, já reprovada pelos trabalhadores, atende apenas a uma reivindicação, a do transporte. A empresa propôs pagar R$ 0,51 por quilômetro rodado. Os líderes sindicais alegam que a medida  só favorece quem tem carro e que os demais ficariam sem opção para ir ao trabalho.