Greenpeace apóia decisão do Paraná em proibir transgênicos

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Publicado sábado, 25 de outubro de 2003 as 15:36, por: cdb

A opção do Governo do Estado em proibir o cultivo, a manipulação, a importação, a exportação, a industrialização e a comercialização de produtos geneticamente modificados no Paraná recebeu o apoio do Greenpeace Brasil. “Esperamos que o Governo Federal preste atenção no exemplo que vem do Paraná e pense nos benefícios ambientais, sociais e econômicos de manter o Brasil livre de transgênicos”, disse Gabriela Vuolo, assessora da campanha de engenharia genética do Greenpeace.

Segundo Gabriela, a proibição deveria acontecer em todo o Brasil e, por isso, o Greenpeace vem alertando sobre os males dos trangênicos desde a década de 1990. “Em 2002, lançamos um relatório que evidencia as vantagens comparativas da soja não transgênica no mercado internacional”, informou.

O documento, denominado “Vantagens da soja e do milho não transgênico para o mercado brasileiro”, está disponível no site da entidade (www.greenpeace.com.br) e mostra que o Brasil é o segundo maior produtor mundial de soja, com cerca de 20% da produção global. Os três maiores produtores do mundo são Estados Unidos, Brasil e Argentina, sendo que o Brasil, até a safra deste ano, era o único que não plantava soja transgênica. Juntos, os três países produzem 43 milhões de toneladas de soja por ano.

Segundo o relatório, cerca de 70% da produção de soja americana é feita com sementes transgênicas e na Argentina o índice chega a 90%. No entanto, o mercado europeu para alimentação humana é praticamente 100% não transgênico e estima-se que o mercado de rações para animais seja de 20% a 25% não transgênico.

Outros países, como Japão e China, também têm restrições ao consumo da soja geneticamente modificada.

O relatório feito pelo Greenpeace constata que o volume de exportações de grãos de soja dos Estados Unidos para a Europa caiu de 9,2 milhões de toneladas para 6,8 milhões de toneladas desde a introdução de soja transgênica naquele país. Já no Brasil, as exportações de soja para a Europa aumentaram de 3,1 milhões de toneladas para 6,3 milhões de toneladas durante o mesmo período.

Outra desvantagem apontada pela entidade é o fato de não ser possível plantar transgênicos e não transgênicos ao mesmo tempo porque as culturas com sementes geneticamente modificadas contaminam o sistema de plantio e armazenagem. Além disso, há o problema da polinização cruzada durante o plantio de culturas, em especial para culturas polinizadas pelo vento, como a soja e o milho.

O Greenpeace é uma entidade sem fins lucrativos que trabalha para a preservação do meio ambiente. Além do relatório, o site do Greenpeace também disponibiliza um “Guia do Consumidor” com a lista de produtos com ou sem transgênicos mais vendidos no Brasil e informações completas sobre o tema.