Grécia não conseguirá pagar FMI em junho sem acordo

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Publicado quarta-feira, 20 de maio de 2015 as 14:18, por: cdb
Grécia
Atenas terá de realizar vários pagamentos totalizando cerca de 1,5 bilhão de euros ao FMI no mês que vem

A Grécia não será capaz de fazer um pagamento ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que vence em 5 de junho sem um acordo com seus credores internacionais, disse o presidente do Parlamento nesta quarta-feira.

Atenas terá de realizar vários pagamentos totalizando cerca de 1,5 bilhão de euros ao FMI no mês que vem e está envolvida em negociações com a instituição e com a União Europeia para assegurar um acordo que libere recursos a Atenas em troca de reformas antes de esgotar seus recursos.

– Agora é o momento em que as negociações estão se intensificando. Agora é o momento da verdade, em 5 de junho – disse Niko Filis, que integra o partido governista Syriza, ao canal de televisão ANT1.

– Se não houver acordo até então isso será a resposta ao atual problema de financiamento, eles não vão receber nenhum dinheiro – acrescentou.

Sem acesso aos mercados de dívida ou auxílio financeiro, o governo se vê travado em negociações árduas enquanto seus cofres se esvaziam.

Taxa sobre transações bancárias

A Grécia propôs a imposição de uma taxa sobre certas transações bancárias para levantar receita e atingir metas fiscais durante negociações com credores da União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI), disseram nesta quarta-feira duas fontes próximas às conversas.

– Ainda não há uma decisão final, mas está sendo discutida – disse uma autoridade do governo. “A proposta certamente não é sobre todas as transações bancárias”.

Outra fonte próxima das conversas disse que a discussão ainda está em “nível preliminar”.

O jornal Kathimerini havia publicado anteriormente que Atenas propôs uma taxa de 0,1%-0,2% sobre transações bancárias com o objetivo de arrecadar entre 300 milhões e 600 milhões de euros por ano.

As conversas com a UE e o FMI vêm se arrastando pelos últimos quatro meses com reformas trabalhistas e de aposentadorias, além de metas fiscais, figurando entre as questões que travam um acordo.

UE: acordo com Grécia é factível

É possível chegar a um acordo com a Grécia nas próximas semanas, mas dependerá do grau de vontade política, uma vez que ainda há grandes diferenças nas discussões sobre questões trabalhistas e previdenciárias, disse nesta quarta-feira o comissário de Assuntos Econômicos da União Europeia, Pierre Moscovici.

– Precisamos correr, precisamos acelerar, um acordo precisa ser firmado nas próximas semanas. Acredito que é factível – afirmou durante sessão de um comitê do Senado francês, em Paris.

Referindo-se a declarações de autoridades gregas de que um acordo precisa ser alcançado até 5 de junho, Moscovici disse estar ciente de “tensões” sobre questões de liquidez, mas se recusou a estabelecer um prazo específico.

– O grau de vontade política determinará o que acontece em seguida – afirmou, acrescentando que houve mais progresso nas últimas três semanas do que nos meses anteriores.

– Mas ainda não chegamos lá. Ainda há grandes discordâncias… para chegarmos a um acordo nas próximas semanas, particularmente em relação a regras trabalhistas e previdenciárias.