Grécia: imigrantes libertados ficam retidos à espera de asilo

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Publicado segunda-feira, 9 de maio de 2016 as 12:55, por: cdb

Cerca de 8 mil pessoas, a maioria fugindo da guerra civil da Síria, chegaram da Turquia pelo mar desde março

Por Redação, com agências internacionais – de Atenas/Berlim/Genebra:

Imigrantes e refugiados estão sendo libertados de centros de detenção na Grécia, mas continuam retidos em suas ilhas até que seus pedidos de asilo sejam processados, ficando expostos a péssimas condições de vida e até mesmo ao risco de ser vítimas de traficantes de pessoas, alertaram grupos de direitos humanos.

Pelo menos 1,1 mil pessoas foram soltas de centros em três ilhas e outras as seguirão
Pelo menos 1,1 mil pessoas foram soltas de centros em três ilhas e outras as seguirão

Pelo menos 1,1 mil pessoas foram soltas de centros em três ilhas e outras as seguirão, à medida que seu período de 25 dias de detenção chegar ao fim, disseram autoridades da polícia. Elas estão proibidas de viajar à Grécia continental, onde se localiza a maioria dos abrigos administrados pelo governo.

Cerca de 8 mil pessoas, a maioria fugindo da guerra civil da Síria, chegaram da Turquia pelo mar desde março, e estão detidos em conformidade com o acordo da União Europeia com Ancara, concebido para fechar a principal rota de acesso à Europa usada por mais de um milhão de pessoas desde 2015.

Segundo o acordo, aqueles que não pedirem asilo na Grécia, e os que forem rejeitados, serão enviados de volta à Turquia. Os pedidos de asilo estão se acumulando, e as decisões podem levar semanas.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) informou que está apoiando esforços de Atenas para criação de novos espaços.

– Todas as partes estão trabalhando muito duro para atender as necessidades dos seres humanos presentes nas ilhas gregas”, afirmou Chris Boian, porta-voz da entidade na Grécia. Indagado se as pessoas retidas nas ilhas estão vulneráveis a traficantes de pessoas que se oferecem para levá-las ao continente, Boian respondeu:

– O risco existe, e esta é uma das razões pelas quais o Acnur advoga o acesso total ao asilo, à expansão dos serviços de asilo e a canais alternativos de entrada legal (na Europa).

Grupos de direitos humanos alegaram que o governo não está fazendo o suficiente para providenciar abrigo e assistência médica aos postulantes a asilo enquanto eles esperam. Na ilha de Lesbos, muitos vão para uma instalação da prefeitura a céu aberto. Aqueles que podem se hospedam em hotéis. Outros dormem ao relento.

Asilo na Alemanha

Os pedidos de asilo na Alemanha aumentaram 124,2% em abril deste ano em comparação ao mesmo mês de 2015, chegando a 60.943 solicitações, informou nesta segunda-feira o Ministério do Interior alemão.

Segundo dados do governo alemão, em abril deste ano foram resolvidos 44.935 pedidos de asilo pendentes, mais 131,2% do que no mesmo mês do ano anterior.

Os dados indicam que 21.557 pessoas receberam o estatuto de refugiado segundo as regras da Convenção de Genebra, o que representa 48,6% das solicitações que foram resolvidas.

Entre essas 21.555 pessoas, 121 foram reconhecidas como exilados políticos, de acordo com a Constituição alemã, e 4.116 receberam proteção subsidiária.

Os dados mostram ainda que 23% dos pedidos, num total de 10.598 casos, foram recusados e que 17,7% deles, 7.857, não chegaram ao fim do processo.

Segundo o Ministério do Interior alemão, continuam pendentes 431.993 pedidos de asilo.

Entre janeiro e abril, 264.393 pessoas entregaram pedido de asilo na Alemanha, o que representa 115,9% mais do que no mesmo período de 2015.

A maioria dos pedidos foi apresentada por cidadãos sírios.

Refugiados

A chanceler alemã, Angela Merkel, conta com o cumprimento do acordo entre a Turquia a União Europeia (UE) para barrar o fluxo de refugiados, independentemente da demissão do primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, afirmou o porta-voz do governo alemão Georg Streiter.

– A chanceler tem trabalhado muito bem até agora com o primeiro-ministro Davutoglu e com todos os representantes turcos e partimos do princípio de que esta cooperação positiva e construtiva vai continuar com o novo primeiro-ministro turco – disse Streiter.

– A UE e a Alemanha vão continuar a cumprir todas as obrigações previstas no acordo e esperamos o mesmo da Turquia – acrescentou.

Ahmet Davutoglu anunciou na última quinta-feira sua saída da chefia do governo, uma decisão que consolida o poder do Presidente, Recep Tayyip Erdogan.

O acordo UE-Turquia, de que Merkel é considerada a principal promotora, prevê o reenvio para a Turquia de todos os imigrantes que cheguem clandestinamente à Grécia. Em troca, a UE recebe um refugiado sírio por cada migrante retirado do território turco.

O governo turco exige contudo que os seus cidadãos passem a estar isentos de visto para circular no espaço europeu de livre circulação Schengen, ameaçando não cumprir o acordo migratório se essa exigência não for satisfeita.