Grécia busca por 38 imigrantes desaparecidos na costa de Lesbos

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Publicado quinta-feira, 29 de outubro de 2015 as 11:46, por: cdb

Por Redação, com agências internacionais – de Atenas/Berlim:

Quatro crianças, dois homens e uma mulher morreram afogados e 38 imigrantes estão desaparecidos após um barco de madeira naufragar ao norte da ilha grega de Lesbos, informou a guarda costeira nesta quinta-feira, à medida que uma extensa operação de resgate continua pelo segundo dia.

A guarda costeira resgatou 242 pessoas de Lesbos na segunda-feira, no que foi o maior desastre marítimo na costa grega em termos de números de envolvidos desde que o fluxo de refugiados teve início neste ano. As buscas continuaram durante a noite.

Quatro barcos da guarda costeira foram enviados nesta quinta-feira, acompanhados de barcos de pesca. Três helicópteros sobrevoavam o mar.

Lesbos, que fica a menos de 10 quilômetros da costa turca no Mar Egeu, se tornou um dos principais pontos para milhares de imigrantes que entram na União Europeia.

Outras 123 pessoas foram resgatadas das ilhas de Samos e Agathonisi e em outro incidente em Lesbos. No total, 15 pessoas se afogaram na quarta-feira, incluindo 10 crianças, informou a guarda costeira. Um bebê está desaparecido há mais de 12 horas.

Lesbos, que fica a menos de 10 quilômetros da costa turca no Mar Egeu, se tornou um dos principais pontos para milhares de imigrantes que entram na União Europeia
Lesbos, que fica a menos de 10 quilômetros da costa turca no Mar Egeu, se tornou um dos principais pontos para milhares de imigrantes que entram na União Europeia

Médicos e voluntários em Lesbos fizeram esforços desesperados para ajudar um bebê a respirar, de acordo com imagens da TV. Alguns dos sobreviventes foram abrigados em uma capela, disse uma testemunha à agência inglesa de notícias Reuters.

Mais de 500 mil refugiados e imigrantes entraram na Grécia desde janeiro, transitando para a o norte e centro da Europa, no que se tornou a maior crise humanitária no continente em duas décadas.

Alemanha

A Alemanha endureceu sua retórica na quarta-feira em resposta a um fluxo acelerado de pessoas que buscam asilo, prometendo aumentar a deportação de imigrantes e acusando a Áustria de tentar passar refugiados pela fronteira comum ao anoitecer.

O tom mais firme do ministro do Interior, Thomas de Maiziere, aconteceu à medida que uma nova pesquisa de opinião mostrou queda no apoio ao partido conservador da chanceler Angela Merkel, por conta de como o governo tem lidado com a crise de refugiados.

Ela foi atacada por seus aliados conservadores na Baviera, estado sulista onde a maior parte dos imigrantes estão entrando da Áustria para Alemanha, por se recusar a se comprometer com medidas para conter o fluxo.

Na quarta-feira, o jornal mais vendido da Alemanha, o Bild, relatou que Horst Seehofer, premiê da Baviera e chefe da União Social Cristã (CSU), estava considerando retirar três dos ministros de seu partido que estão no gabinete de Merkel em Berlim, em protesto às políticas da chanceler.

Embora Seehofer tenha feito uma série de ultimatos nas semanas recentes que não foram realizados, a reportagem destacou a proporção da seriedade que as tensões no governo federal tornaram, à medida que milhares de imigrantes, em maioria da Síria e Afeganistão, entram na Alemanha.

Merkel argumentou que a crise só pode ser solucionada ao atacar a fonte dos problemas: a guerra na Síria e as condições ruins para refugiados em países como Líbano, Jordânia e Turquia.

Refugiados do Afeganistão

O ministro do Interior da Alemanha, Thomas de Maizière, anunciou na quarta-feira uma política de refugiados mais rigorosa para os imigrantes afegãos. Ele afirmou que a maioria dos requerentes de asilo do Afeganistão será enviada de volta ao seu país de origem.

– O número de repatriações, regressos voluntários e deportações subirá significativamente – disse De Maizière. O ministro alemão justificou sua posição afirmando que a Alemanha tem contribuído para a melhora da segurança no Afeganistão, enviando soldados e ajuda humanitária e de desenvolvimento.

– A segurança no Afeganistão, obviamente, não é tão elevada como em outros lugares – admitiu De Maizière, mas certamente há regiões seguras, afirmou. Ele acrescentou que não vai propor que o país seja classificado como sendo “de origem segura”, como foi feito com os países dos Bálcãs, e que os pedidos de asilo continuarão sendo analisados de forma individual.

Hoje muitos afegãos podem permanecer na Alemanha porque vêm de regiões inseguras do país. Porém, esse critério precisa ser revisto, afirmou o ministro. “As pessoas que vêm como refugiadas do Afeganistão não podem esperar que todas elas permanecerão na Alemanha”, disse.

Os afegãos formam o segundo maior grupo de imigrantes que chegam à Alemanha, situação que De Maizière chamou de inaceitável. Entre eles, segundo o ministro, há muitos membros da classe média e moradores de Cabul, que “deveriam ficar e ajudar a reconstruir o país”.

De Maizière afirmou também que o governo afegão compartilha dessa posição. Porém, em entrevista à agência alemã de notícias DW, o ministro afegão para refugiados, Sayed Hussain Alimi Balkhi, afirmou que pediu às autoridades alemãs para que acolham mais refugiados e não mandem ninguém de volta. O pedido teria sido feito durante um encontro em Genebra, na Suíça. Como motivo, o ministro citou a precária situação de segurança no país.

A Alemanha anunciou, recentemente, uma extensão da permanência de tropas alemãs no âmbito da tentativa da Otan de manter o Afeganistão um Estado estável. Entre janeiro e setembro, aproximadamente 52 mil afegãos efetuaram um pedido de asilo na Alemanha.

Bálcãs: praticamente inelegíveis para asilo

No que diz respeito aos requerentes de asilo dos Bálcãs, De Maizière espera que o processamento dos pedidos seja efetuado mais rapidamente e disse que dezenas de milhares serão deportados até o fim de 2015.

Os requerimentos de asilo serão rejeitados sem análise detalhada depois de a Alemanha ter adicionado Albânia, Kosovo e Montenegro à lista de “países de origem segura”, tornando os migrantes praticamente inelegíveis para o asilo político.

De Maizière acrescentou que 11 mil pessoas já foram deportadas este ano, enquanto outras 27 mil pessoas deixaram a Alemanha voluntariamente após receberem um apoio financeiro.

Caos na fronteira

O ministro do Interior alemão expressou claramente também o seu descontentamento com a vizinha Áustria. “Observamos que refugiados, sem aviso prévio e após anoitecer, estavam sendo levados para a fronteira com a Alemanha”, disse. “Houve intensos contatos. A Áustria concordou em retornar a um processo ordenado. Espero que isso ocorra imediatamente.”

Além disso, De Maizière comunicou que cinco oficiais da polícia alemã foram enviados à Eslovênia para ajudar a força de segurança local a lidar com o elevado número de refugiados que estão atravessando o país alpino.