Grandes economias, sob intensa pressão, tentam proteger o euro

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Publicado sexta-feira, 23 de setembro de 2011 as 11:59, por: cdb
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Crise do euro é a pior desde a formação do bloco econômico europeu

As maiores economias do mundo prometeram impedir que a crise da dívida europeia prejudique os bancos e os mercados financeiros, dizendo que o fundo de resgate da zona do euro pode ser aumentado. Sob pressão dos investidores para mostrar ação, os ministros das Finanças e banqueiros centrais do G20 disseram que tomarão todas as medidas necessárias para acalmar o sistema financeiro global.

“Nos comprometemos a tomar todas as ações necessárias para preservar a estabilidade dos sistemas bancários e dos mercados financeiros, conforme necessário”, disse o bloco em comunicado divulgado na noite passada. Em sinal de que a zona do euro está trabalhando para aumentar a potência do fundo de resgate de 440 bilhões de euros, o comunicado do G20 disse que seus membros implementarão “ações” para aumentar a flexibilidade do Instrumento Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF) e maximizar seu “impacto” até a próxima reunião ministerial do grupo, em outubro.
Não houve detalhes sobre como o fundo poderia ser alterado, embora o ministro das Finanças francês, François Baroin, tenha usado a palavra “alavancagem” em declarações a jornalistas. Os Estados Unidos já propusera que a Europa poderia alavancar o EFSF, dando a ele mais poder para proteger a zona do euro e seus bancos. Depois das reuniões, uma autoridade norte-americana disse que o G20 mostrara um elevado senso de urgência, mas não discutira um mecanismo específico para alavancar ou expandir o fundo de resgate.
Uma fonte do G20 disse que a referência ao EFSF no comunicado foi deixada ambígua para manter aberta a possibilidade de alavancar o fundo ou usá-lo para comprar dívida governamental nos mercados secundários.
Sob pressão
A Europa, porém, recebeu intensa pressão dos EUA e de outros países para tomar medidas mais ousadas. Mais cedo, na quinta-feira, o secretário de Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, expressou otimismo de que a Europa devotaria mais de seus próprios recursos para apoiar a zona do euro e seus bancos.
– Eu estou muito confiante de que eles agirão na direção de expandir (sua) capacidade financeira efetiva. Eles só estão tentando descobrir como chegar lá de forma que seja politicamente atraente – disse Geithner.
Os líderes do G7 destacaram anteriormente a necessidade de conter a crise de dívida e autoridades financeiras dos Brics – incluindo Brasil, China e Índia – disseram que considerariam dar mais capital ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para ajudar na estabilidade global. Mas a Índia disse que os países em desenvolvimento não estão em boa posição para resgatar economias mais ricas e a autoridade dos EUA disse que o G20 não conversou sobre os emergentes darem mais fundos ao FMI.
Por sua vez, o presidente do Banco Central da China, Zhou Xiaochuan, disse que os emergentes deveriam incentivar sua demanda doméstica para compensar a lentidão causada pela fraqueza dos EUA e da Europa.
Recursos
Os bancos europeus, por sua vez, já receberam 420 bilhões de euros em recursos para ajudar a recapitalizá-los, informou a União Europeia nesta sexta-feira, acrescentando que as instituições estão em melhor forma que três anos atrás.
– A recapitalização dos bancos europeus está em andamento, é algo que já está acontecendo. Tem acontecido desde 2008… A quantia da recapitalização dos bancos europeus é de 420 bilhões (de euros) – disse o porta-voz da Comissão, Olivier Bailly.
Ele acrescentou que “não há nenhum grande plano europeu para recapitalizar os bancos na Europa”.