Graça Foster diz que esquema de corrupção se formou fora da Petrobras

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 26 de março de 2015 as 12:06, por: cdb
Graça Foster
Essa é a quinta vez que a ex-presidente vem ao Congresso explicar irregularidades na Petrobras

A ex-presidente da Petrobras Maria das Graças Foster disse, nesta quinta-feira, durante depoimento na CPI da Petrobras, que o esquema de corrupção na empresa “se formou fora da Petrobras”. Ela disse isso ao responder pergunta do relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), a respeito das ações de controle sobre a empresa, feitas pelo Tribunal de Contas da União, bem como as auditorias externas feitas pela empresa Price Waterhouse.

Luiz Sérgio lembrou que o ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli também disse à CPI que a corrupção era algo externo à empresa.

O relator perguntou a Graça Foster se procediam as afirmações atribuídas aos delatores da Operação Lava Jato Paulo Roberto Costa, Alberto Youssef e Pedro Barusco de que as licitações na Petrobras eram feitas de maneira muito correta. “Não conheço caso em que diretores da Petrobras tivessem tido informações de vencedores de licitações antes da abertura dos envelopes de propostas”, disse Foster ao negar o vazamento de informações privilegiadas.

Mais cedo, Foster falous sobre a gestão da Petrobras e disse que a Operação Lava Jato fez com que a diretoria da empresa adotasse práticas preventivas, de modo a evitar a formação de cartéis por parte das empresas contratadas, bem como sobrepreço nas contratações. Graça Foster depõe neste momento na CPI que investiga irregularidades na empresa.

– Fomos surpreendidos pela Operação Lava Jato, em março de 2014, o que atrapalhou (os resultados da empresa), mas mesmo assim a Petrobras bateu recorde de produção de óleo, gás e energia elétrica no ano – disse à CPI.

Em resposta a perguntas do relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), ela disse que a estatal produz 100 milhões de metros cúbicos de gás.

– São mais de 60 unidades de produção, sendo 13 refinarias – respondeu.

Propinas

Foster disse que “nunca soube” de propinas na empresa. Ela disse isso ao responder pergunta do deputado Altineu Côrtes (PR-RJ), um dos sub-relatores da CPI da Petrobras.

O deputado mencionou depoimento de um dos delatores do esquema, o engenheiro Shinko Nakandakari, que confirmou à Justiça Federal pagamentos de propina ao ex-diretor da estatal Renato Duque e ao tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, em contratos da Diretoria de Energia e Gás, entre 2008 e 2013.A diretoria foi dirigida no período por Ildo Sauer e depois por Maria das Graças Foster.

TCU

Foster disse que os órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União, melhoraram a gestão da estatal, mas acrescentou que a corrupção na empresa foi descoberta pela polícia.

– O grande descobridor foi a Polícia Federal, não foram os auditores nem a própria empresa que descobriu – disse ela, ao responder pergunta do relator da CPI da Petrobras, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ).

Ela disse que a Price Waterhouse, empresa de auditoria contratada pela Petrobras, avalizou sem ressalvas as contas da empresa a respeito do primeiro trimestre de 2014. Ela acrescentou que a Price só mudou o parecer depois da divulgação dos depoimentos dos delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef.

O deputado Nilson Leitão (PSDB-MT) questionou as perguntas do relator à ex-presidente da empresa a respeito da saúde financeira da Petrobras e o mercado de petróleo mundial.

– Estamos aqui para investigar corrupção na Petrobras – disse o deputado.

O presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), respondeu que o relator tem o direito de fazer as perguntas que quiser, pelo tempo que desejar. Ao responder as perguntas de Luiz Sérgio, Graça Foster disse que o câmbio é, hoje, um dos grande problemas da empresa.

– O dólar acima de R$ 3,00 é muito ruim para a Petrobras – disse ela.

Depoimentos em 2014

Essa é a quinta vez que a ex-presidente vem ao Congresso explicar irregularidades na Petrobras.Em 2014, a ex-presidente da Petrobras Graça Foster prestou depoimento durante sete horas na CPI Mista da Petrobras. Sobre a Abreu e Lima, Foster explicou, do ponto de vista técnico, casos como o aumento do custo final da refinaria Abreu e Lima. Segundo ela, a Petrobras teve de construir mais do que o parque de refino, pagando também trechos do porto de Suape e rodovias até a refinaria. Isso teria imposto custos adicionais à obra, orçada inicialmente em US$ 2,5 bilhões, mas que custou US$ 18,5 bilhões.

Sobre Pasadena, ela também defendeu, na ocasião, a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, negócio que motivou a criação da CPMI. Ela admitiu que a compra da refinaria foi um mau negócio, se analisada atualmente, mas uma compra potencialmente boa na época. A refinaria custou 1,25 bilhão de dólares, somados a 680 milhões de dólares em obras de manutenção. A refinaria de Pasadena foi comprada pela empresa belga Astra Oil, em 2005, por 42,5 milhões de dólares. Um ano depois, a estatal brasileira decidiu adquirir 50% da refinaria ao custo de US$ 360 milhões, e se tornou sócia da emprega belga.