Grã-Bretanha estabelece seis condições para evitar a guerra

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Publicado quarta-feira, 12 de março de 2003 as 15:01, por: cdb

A despeito dos aparentes temores americanos sobre a possível participação britânica em uma guerra contra o Iraque, o primeiro-ministro Tony Blair apresentou seis novas condições nesta quarta-feira para Saddam Hussein evitar a guerra.

Ao mesmo tempo, ele insistiu que as tropas britânicas participarão de uma invasão, caso Bagdá não cumpra os termos.

Na Câmara dos Comuns, Blair disse que está trabalhando para convencer o Conselho de Segurança da ONU a aprovar uma segunda resolução incorporando as seis condições autorizando o conflito.

O líder britânico está sob uma crescente pressão política em seu próprio país para se retirar de uma campanha militar, caso não haja uma autorização específica da ONU para o uso da força.

As seis condições, que, segundo especialistas, não devem ser acatadas por Saddam, incluem uma exigência de que o líder iraquiano faça uma declaração pública na televisão, dizendo que estava escondendo armas de destruição em massa, mas agora fez uma “decisão estratégica” para o desarmamento.

As condições, delineadas em parte para convencer membros do Conselho de Segurança a apoiar uma segunda resolução, também insistem que Bagdá destrua “imediatamente” seus estoques de antraz e permita que 30 cientistas iraquianos viagem ao Chipre para serem entrevistados por inspetores de armas da ONU.

Blair disse que é essencial “passar uma forte mensagem a Saddam Hussein de que ele deve se desarmar ou enfrentará as conseqüências”.

As seis condições também incluem uma exigência para que o Iraque produza uma aeronave para inspeção ou prove que já ela já foi destruída.

“Eu acredito que se estabelecermos essas condições claramente, se a apoiarmos como uma ONU unida, então teremos uma chance de evitar o conflito”.

A França e a Rússia, dois membros permanentes do Conselho de Segurança, ameaçaram usar seu direito de veto para evitar a aprovação de uma segunda resolução. Mas a Casa Branca insistiu que uma segunda resolução seria colocada em votação esta semana, implicando no rápido início de um conflito.

Os jornais britânicos dedicaram suas manchetes às declarações de Donald H. Rumsfeld, o secretário de Defesa dos EUA, sugerindo que os EUA invadiriam o Iraque sozinhos, se as pressões políticas nacionais impossibilitarem a participação das tropas britânicas.

Rumsfeld depois modificou as suas palavras, dizendo que Washington ainda espera “uma significante contribuição militar do Reino Unido”.

Mas na Grã-Bretanha, seus comentários iniciais encorajaram os defensores da paz a dizerem que a Casa Branca havia oferecido a Blair uma rota de saída do engajamento militar, que se tornou ainda mais contencioso dentro de seu Partido Trabalhista e entre muitos cidadãos.

Blair insistiu, através de um porta-voz, entretanto, que “se a ação for necessária, haverá um significante papel das tropas britânicas”, acrescentando: “O primeiro-ministro acredita que nós devemos nos envolver porque é certo desarmar Saddam e é certo que participemos desse processo”.

No Parlamento, o primeiro-ministro continuou a enfatizar a necessidade de uma segunda resolução – uma autorização que iria questionar grande parte da oposição que ele enfrenta de opositores argumentando que uma guerra contra a vontade da ONU seria ilegal e contra a vontade popular.

Mas há uma crescente suspeita aqui, depois das declarações de Rumsfeld, que a Casa Branca está cada vez mais impaciente com a diplomacia, particularmente se as negociações sobre a segunda resolução sucederem em adiarem ainda mais a ação militar. Isso deixou Blair em cima do muro, entre a exigência de seu aliado americano e as vontades de seus eleitores em casa.

“É claro que os EUA podem ir sozinhos, e é claro que esse país não deve assumir a ação militar a menos que seja de nosso interesse”, declarou Blair ao parlamento.

“O que está em risco agora não é a capacidade dos EUA, e sim a capacidade da comunidade internacional apoiar uma clara instrução que dê a S