Grã-Bretanha considera seleção genética contra câncer de mama

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Publicado sexta-feira, 27 de abril de 2007 as 18:24, por: cdb

Dois casais britânicos com longos históricos familiares de câncer de mama querem ser os primeiros a submeter embriões a testes para prevenir que seus filhos desenvolvam a doença no futuro. Os médicos irão selecionar embriões que não contenham o gene BRCA1. Esse gene aumenta o risco de câncer de mama entre 60% e 80%, mas que não significa que a pessoa irá necessariamente desenvolver a doença.

Até agora, esse tipo de teste – chamado diagnóstico genético pré-implantação – só foi aprovado para detectar genes que sempre causam doenças quando herdados, como acontece com a fibrose cística.

O exame consiste em testar embriões geneticamente em laboratório. Para isso, os embriões precisam ser concebidos através da fertilização in vitro.

O médico Paul Serhal, do University College Hospital de Londres, já fez o pedido para realizar o teste que detecta o gene BRCA1 e a Autoridade de Fertilização e Embriologia, inicialmente, concordou.

A decisão final deve sair nos próximos meses.

– O que nós estamos fazendo aqui é dar aos pais a opção de poupar seus filhos do trauma que enfrentaram e erradicar essa transmissão genética que está acontecendo de geração para geração -, disse Serhal.

Um dos casais que buscam aprovação para o teste é Helen e Matthew, da cidade britânica de Bedford.

– Eu vivi boa parte da minha vida com o câncer, a morte e o medo de que eu possa ter que enfrentar a doença ou passá-la para meus filhos -, disse Helen, de 22 anos, ao jornal The Times.

Mas críticos dizem que a aprovação desse tipo de teste pode abrir caminho para a criação dos chamados designer babys (bebês de designer, em tradução-livre), quando embriões seriam testados e selecionados com base na aparência física e inteligência.

Outro problema é o fato de que os embriões que contém o gene serão destruídos.

– Esse não é um caminho aceitável. Não é uma solução ou uma cura para o câncer de mana. Isso já está indo em direção à busca pela perfeição -, disse Josephine Quintavalle, da organização Comment on Reproductive Ethics.