Governo vai reduzir meta de superávit primário para 2015

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Publicado quarta-feira, 22 de julho de 2015 as 14:01, por: cdb
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O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, resistiu inicialmente a reduzir a meta por temer que enviaria o sinal errado aos mercados sobre o compromisso do governo com o ajuste fiscal

O governo vai reduzir a meta de superávit primário para 2015 diante da queda na receita tributária, mas planeja anunciar novos cortes no Orçamento para mostrar compromisso com a austeridade, disseram à agência inglesa de notícias Reuters duas autoridades familiarizadas com a decisão.

A redução da meta de superávit primário de R$66,3 bilhões, o equivalente a 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB), será anunciada nesta quarta-feira, segundo as autoridades.

O corte da meta mostra o quanto será difícil para o governo da presidenta Dilma Rousseff fortalecer as finanças do país depois de anos de excessos e em meio a uma dolorosa desaceleração econômica.

Ambas as autoridades, que não quiseram ser identificadas pois o anúncio ainda não é público, não falaram em quanto a meta será cortada ou o tamanho dos cortes orçamentários.

– A redução da meta será consistente com a situação atual. Será uma redução forte – afirmou uma das autoridades.
Muitos economistas do mercado esperam que o superávit primário feche o ano entre 0,6% e 0,8% do PIB, refletindo a expectativa de que a economia contraia quase 2% neste ano.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, resistiu inicialmente a reduzir a meta por temer que enviaria o sinal errado aos mercados sobre o compromisso do governo com o ajuste fiscal.

Para apaziguar esses temores o governo também anunciará cortes adicionais nos gastos que podem alcançar R$15 bilhões, de acordo com a autoridade. Em maio, o governo prometeu cortar R$70 bilhões em gastos para restaurar sua credibilidade com investidores.

Levy disse na terça-feira que uma possível redução da meta não significava o fim do ajuste.

Pela maior parte da década passada o país registrou superávits primários acima de 3% do PIB à medida que controles de gastos mais rígidos e a bonança das commodities enchiam os cofres públicos.

Isso mudou quando Dilma assumiu a Presidência em 2011 e concedeu bilhões de reais em isenções fiscais para empresa em uma tentativa fracassada de reanimar a economia estagnada.

Desde sua reeleição em outubro, Dilma adotou políticas mais amigáveis ao mercado e prometeu reequilibrar as contas públicas para evitar que o país perca o cobiçado grau de investimento.

No entanto, a forte queda nas arrecadações tributárias causada pela desaceleração econômica acabou com as esperanças do governo de atingir sua meta original.