Governo tenta acordo com PFL para aprovar prorrogação da CPMF

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Publicado quinta-feira, 18 de abril de 2002 as 01:46, por: cdb

O líder do Governo no Congresso Nacional, deputado Arthur Virgílio, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) pregou, nesta quarta-feira, uma nova aliança com o Partido da Frente Liberal (PFL). O objetivo do governo é tentar as cartadas possíveis para desobstruir a pauta na Câmara dos Deputados e aprovar a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF).

Virgílio fez o comentário após um encontro entre o presidente do PSDB, deputado José Anibal, e o líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira. “Uma convergência entre os dois partidos será muito bom; uma aliança melhor ainda”, disse Virgílio, ressaltando que, se dependesse dele, não teria havido “essa separação momentânea” do PFL da base do governo.

O líder do governo pregou uma “poligamia do PSDB com o PMDB, PFL, PTB, PCB e PC do B”. O PFL abandonou a base governista no mês passado, em resposta à operação da Polícia Federal na empresa Lunus, da então governadora do Maranhão, Roseana Sarney.

No Palácio do Alvorada, o presidente Fernando Henrique Cardoso reuniu-se com parlamentares de diversos partidos e pediu mais empenho ao Congresso Nacional para a votação da prorrogação da CPMF. “Ele pediu aos parlamentares que não deixassem de agilizar a votação da CPMF”, afirmou o senador Ney Suassuna, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), que participou da audiência com FHC.

Segundo Suassuna, Fernando Henrique fez um paralelo entre as perdas provocadas com o atraso da votação da emenda e as obras recém-inauguradas do Rodoanel, em São Paulo, cujos 32 quilômetros custaram R$ 1,2 bilhão. O presidente teria afirmado que o valor equivale a três semanas de perdas com a CPMF. O presidente da Câmara dos Deputados, Aécio Neves, previu que a proposta que prorrogará a CPMF poderá ser votada na próxima quarta-feira.

Aécio acredita que o esforço concentrado na Câmara até sexta-feira permitirá a conclusão da votação das 12 Medidas Provisórias que estão trancando a pauta. Também considerou que o anúncio do aumento do Imposto Sobre Operações Financeiras, na véspera, não significa nenhuma afronta ao Congresso.

“O ministro (da Fazenda, Pedro Malan) demonstrou apenas a grande preocupação com a imprevisibilidade da conclusão da votação da CPMF no Congresso”, disse.