Governo russo pede que população se prepare para medidas antiterroristas

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Publicado quinta-feira, 28 de agosto de 2003 as 14:29, por: cdb

As autoridades russas endurecerão ainda mais as medidas antiterroristas em Moscou e advertiram nesta quinta-feira que a população da capital “deve se preparar psicologicamente” para esta nova situação.

— Nos espetáculos, estádios, aeroportos, seja onde for necessário, o controle será mais duro e rigoroso — disse Grizlov na cerimônia de inauguração de um novo edifício da polícia de Moscou.

O ministro do Interior informou que esta situação deve ser assumida “de uma vez por todas pelos cidadãos, que devem estar preparados psicologicamente para o controle antiterrorista”. Grizlov enfatizou que “não fará nenhuma exceção” nos trabalhos de controle antiterrorista, pois durante estes “não deverão nem poderão haver tratamentos especiais nem privilégios”.

O ministro comparou a ameaça terrorista na Rússia com a peste, após o que:

— É preciso lutar contra seus micróbios, contra as idéias, assim como com os propagadores da peste.

Grizlov opinou que os organizadores de espetáculos em massa “deveriam obrigatoriamente assegurar os presentes contra possíveis danos e prejuízos provocados por atos terroristas”.

— Desta forma, o Estado não teria que realizar pagamentos milionários a possíveis vítimas de atos terroristas, o que não é justo nem racional — disse Grizlov, que recentemente assumiu o comando da denominada operação antiterrorista que o Exército russo realiza na Chechênia.

O ministro do Interior, que também é o líder máximo do partido governista Rússia Unida, disse que “aqueles que obtêm os lucros devem assumir os riscos”.

As declarações de Grizlov entram em contradição com a Lei de Luta contra o Terrorismo, que ressalta que a responsabilidade pelos prejuízos causados por um ato terrorista recai sobre a entidade federada em cujo território ele foi perpetrado.

É precisamente nesse preceito legal que se baseiam as demandas milionárias apresentadas contra o governo de Moscou pelos familiares das vítimas do ataque terrorista checheno ao teatro Dubrovka no ano passado.

Em 23 de outubro de 2002, um comando checheno invadiu no teatro Dubrovka e tomou como reféns cerca de mil pessoas que assistiam ao musical Nord-Ost.

Três dias depois, forças especiais russas lançaram uma operação de resgate na qual morreram os 41 terroristas e 129 reféns.

Quase todos os reféns morreram em conseqüência da inalação de um gás secreto usado pelos agentes de segurança e em decorrência da falta de auxílio durante a evacuação, dada a desorganização e a inexistência de antídotos.

Na intervenção desta quinta, Grizlov não explicou os alcances do endurecimento das medidas antiterroristas na capital russa, cujos habitantes, desde o início da guerra na Chechênia, em 1996, experimentam na carne o zelo da polícia e dos serviços de segurança.

Um homem, sobretudo de aparência caucasiana, ao sair às ruas de Moscou sem identidade corre o risco de passar várias horas detido em uma delegacia ou, na melhor das hipóteses, de sair dessa incoveniente pagando um suborno. O ministro do Interior se referiu também à luta contra a corrupção na polícia.

— Ninguém permitirá que se aproveitem do direito ao uso da força para o enriquecimento pessoal — declarou Grizlov em referência à recente desarticulação de um grupo criminoso integrado por vários chefes policiais.