Governo Lula faz estréia no Fórum Nacional

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Publicado domingo, 18 de maio de 2003 as 09:14, por: cdb

Principal ambiente de debate econômico do país nos últimos anos, o Fórum Nacional terá em sua 15ª edição, que começa na próxima terça-feira, no Rio, a mesma questão-chave dos cinco anos anteriores: o que fazer para o país retomar o desenvolvimento sustentável? A mudança ficará por conta dos presentes. Saem os integrantes da equipe econômica de FHC – nenhum foi convidado – e entram expoentes do governo Lula.

Apesar da ausência de figuras como o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan, que sempre garantiu polêmica em seus embates com o senador Aloizio Mercadante (PT), o ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso, organizador do evento, diz que as discussões serão acaloradas.

– A partir de lideranças de pensamentos diferentes é possível chegar a convergências. O fórum foi criado com a concepção de pluralismo -, disse.

– Não tem gente do governo passado porque [este governo] está muito no começo. Iria levantar mais fumaça do que fogo, com cada um defendendo o que fez e o outro lado atacando o que deixou de ser feito -, afirma Reis Velloso, ao justificar as ausências.

Neste ano, os principais debatedores estão do mesmo lado. Mesmo assim, diz Velloso, eles têm opiniões que muitas vezes não coincidem. É o caso do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Marcos Lisboa, que abrirá o fórum na próxima terça-feira debatendo a agenda do governo para o crescimento sustentado ao lado de Mercadante e do economista Ricardo Carneiro, responsável pelo plano de governo de Lula na sua primeira campanha presidencial (1989).

Autor da chamada agenda perdida, que recomenda a focalização dos gastos sociais, Lisboa foi alvo de crítica de setores do PT e de economistas ligados ao partido, como Maria da Conceição Tavares, defensora de programas de universalização. Mais ortodoxo, Lisboa também tem diferenças ideológicas com Mercadante.

No encerramento, na próxima quinta-feira, estarão presentes os ministros Antonio Palocci Filho (Fazenda) e Guido Mantega (Planejamento) e o presidente do BC (Banco Central), Henrique Meirelles.

Palocci falará sobre as bases da política econômica do novo governo. Mantega abordará o retorno de um modelo de planejamento estratégico. Um dia após a reunião do Copom que decidirá a trajetória dos juros, Meirelles falará sobre política monetária.