Governo italiano vai intervir na crise da Parmalat

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Publicado terça-feira, 23 de dezembro de 2003 as 15:02, por: cdb

O Governo italiano aprovou em caráter de urgência nesta terça-feira, um decreto-lei para ajudar as grandes empresas em dificuldades financeiras cujo principal objetivo é tentar superar a crise da Parmalat.    

Ao mesmo tempo solicitará à Comissão Européia que reconheça o estado de crise no setor de laticínios italiano para que sejam revogadas as limitações existentes às ajudas estatais aos criadores de gado.

Segundo o ministro italiano de Indústria, Antonio Marzano, a nova lei permitirá intervir nas empresas com mais de mil trabalhadores e uma dívida superior a 1 bilhão de euros que se encontrem em estado de insolvência.

As empresas afetadas serão administradas por um comissário extraordinário com amplos poderes e que será nomeado pelo Governo para preservar a continuidade da empresa.

Marzano afirmou que o decreto será publicado no Boletim Oficial do Estado -requisito indispensável para sua entrada em vigor- de forma “muito rápida” e assegurou que o objetivo da iniciativa no caso de Parmalat é “salvaguardar o emprego, não os acionistas nem a diretoria”.

O ministro acrescentou que a nova lei permitirá intervir com urgência e superar a “lentidão” de normas precedentes sobre crise industriais, e que, no caso de empresas agroalimentares -como a Parmalat- seu departamento atuará em coordenação com o Ministério da Agricultura.

A Parmalat é a maior empresa alimentícia italiana, emprega 37.000 pessoas no mundo todo, fatura quase 8 bilhões de euros anuais e tem uma dívida bruta de mais de 6 bilhões de euros.

A Procuradoria de Milão (norte) que investiga as supostas irregularidades contábeis na empresa afirmou hoje que o “rombo” financeiro é de cerca de 7 bilhões de euros.

Desse dinheiro 3,95 bilhões de euros procedem de um documento “fantasma” no qual foi escaneado o logotipo do Bank of America e no qual a financeira do grupo, Bonlat, pretendeu fazer crer na existência desses fundos.

O resto do dinheiro seriam bônus que a Parmalat fez aparecer em seus balanços mas que de fato eram inexistentes.

A Procuradoria efetuou hoje o interrogatório de Fausto Tonna, ex-diretor financeiro da Parmalat, junto com diversos contadores da empresa.