Governo golpista dá dez dias para Brasil definir status de Zelaya

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Publicado domingo, 27 de setembro de 2009 as 10:25, por: cdb

O governo golpista de Honduras deu ao Brasil um prazo de dez dias para que defina o status do presidente deposto, Manuel Zelaya, que se encontra na embaixada brasileira em Tegucigalpa. Em um comunicado, a chancelaria do governo encabeçado por Roberto Micheletti diz que, se a solicitação não for atendida, “nos veremos obrigados a tomar medidas adicionais conforme o direito internacional”.

“Nenhum país pode tolerar que uma embaixada estrangeira seja utilizada como base de comando para gerar violência e romper a tranquilidade, como o senhor Zelaya tem feito desde sua entrada em território nacional” afirma o texto.

A nota acusa o presidente deposto de “usar a embaixada para instigar a violência e a insurreição contra o povo hondurenho e seu governo constitucional”.

– Os resultados destes chamados à violência foram danos materiais à propriedade pública e privada na nossa capital (Tegucigalpa) e a geração de inconvenientes aos nossos cidadãos.

Zelaya foi deposto, em um golpe de Estado, e expulso de Honduras em 28 de junho. Desde então, um acordo negociado na Costa Rica prevê sua restituição como presidente constitucional. O governo interino não foi reconhecido por nenhum país.

Na última segunda-feira, o presidente deposto retornou ao país sem a autorização da cúpula golpista, que cobra a sua prisão, e se instalou na embaixada brasileira em Tegucigalpa. Além dele, cerca de 60 de seus seguidores também estão abrigados em solo brasileiro na capital hondurenha. O prédio permanece cercado por policiais.

No início da semana, a embaixada chegou a ter o fornecimento de água e energia cortado. Na sexta-feira, o presidente deposto havia afirmado que a representação diplomática foi alvo de bombas de gás lacrimogêneo lançadas pelas forças de segurança do país. Um porta-voz da polícia, no entanto, negou o ataque.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse que um de seus delegados entrou na casa onde funciona a embaixada, neste sábado, a pedido de Zelaya, mas não constatou situação de emergência no local.

A declaração é divulgada dois dias após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestar, na sexta-feira, que Zelaya pode permanecer na embaixada brasileira “o tempo que for necessário”.

– O que é anormal não é que Zelaya tenha voltado, mas que o tal Micheletti tenha ficado – comentou o presidente brasileiro.

O presidente usou palavras fortes para rejeitar a insinuação do governo interino de que o Brasil tenha participado na operação que permitiu a volta de Zelaya a Honduras.

– Eu não posso comentar uma cretinice dita por um golpista – afirmou.

Na cena diplomática, o Brasil tem recebido diversas manifestações de apoio da comunidade internacional.

Na noite do sábado, os chefes de Estado que participam da 2ª Cúpula América do Sul-África (ASA) aprovaram uma resolução na qual exigem o fim das ações de intimidação à embaixada do Brasil em Honduras e pedem a restituição de Zelaya como saída para solucionar a crise no país.