Governo e rebeldes da Colômbia vão negociar até abril

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Publicado segunda-feira, 21 de janeiro de 2002 as 22:47, por: cdb

O governo colombiano e o maior grupo rebelde da Colômbia, as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), chegaram a um acordo no domingo para manter vivo o processo de paz. Com o acordo, anunciado numa entrevista coletiva pelo negociador do governo, Camilo Gomez, e o líder rebelde Raúl Reyes, fica cancelado o ultimato que havia sido estabelecido pelo presidente Andrés Pastrana e que venceria na meia-noite de domingo (horário local, 3h de Brasília desta segunda-feira).

Os dois negociadores apresentaram um comunicado conjunto de 12 pontos, em que os dois lados concordaram em lançar “imediatamente” uma nova rodada de negociações até 7 de abril. Nessa data, um novo cessar-fogo deverá ser assinado. Caso contrário, o governo promete retomar três dias depois a zona desmilitarizada ocupada pelas Farc em 1998. O acordo prevê ainda a participação no processo de paz de uma comissão internacional de verificação para “superar complicações” que apareçam nas negociações.

As Farc prometeram acabar com a prática de seqüestros feitos nas estradas do país e o governo se comprometeu a reprimir a ação de grupos paramilitares de direita. “Eu decidi estender a existência da área desmilitarizada até 10 de abril”, afirmou o presidente Pastrana. “Uma trégua só faz sentido se for uma trégua que nos permita alcançar a paz.”

Os esforços para a obtenção de um acordo continuaram apesar de novos casos de violência na Colômbia. Desde que Pastrana anunciou que pretendia retomar a região controlada pelas Farc, há uma semana, 47 pessoas foram mortas em confrontos no país. Apesar do novo acordo, segundo a imprensa colombiana, ainda existem alguns pontos que precisam ser negociados, como a exigência das Farc de manter todas as áreas que controlam hoje, sendo que o governo quer restringi-los a apenas uma região, além da pré-condição anunciada pelos rebeldes de que seus membros capturados sejam libertados, em troca da libertação de seus reféns, sem contar o pedido das Farc de auxílio-desemprego para ex-guerrilheiros. Ao mesmo tempo, do lado do governo Pastrana, a exigência é do estabelecimento imediato de uma trégua e o fim dos seqüestros, antes que qualquer concessão seja feita.