Governo do Canadá vende maconha pela metade do preço

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Publicado quinta-feira, 10 de julho de 2003 as 08:50, por: cdb

O Canadá se tornou o primeiro país do mundo a plantar e vender maconha oficialmente – e pela metade do preço de mercado.

A maconha é vendida apenas sob prescrição médica para pacientes com doenças graves por R$ 10,60 o grama, metade do preço cobrado no mercado negro do país.

O governo também estimula que os usuários plantem a sua própria erva, vendendo um pacote de 30 sementes por R$ 43.

As autoridades canadenses tiveram que começar a vender a droga para seguir uma decisão de um tribunal do país, que exigiu que o programa de comercialização de maconha começasse até o dia 10 de julho.

Mais tempo

O governo canadense, no entanto, diz que pode suspender o programa a qualquer momento e está apelando da decisão do tribunal para ter mais tempo para verificar os efeitos negativos da droga.

– Minha primeira obrigação é garantir a segurança e eficácia do produto. A maconha não é um produto terapêutico comprovado – disse a ministra da Saúde, Anne McLellan.

A maconha é plantada em uma área controlada pelo governo federal em uma mina na região central do Canadá.

O objetivo do programa é evitar que os doentes graves que receberam autorização para consumir a droga tenham que comprá-la no mercado negro, onde a qualidade não é garantida e há maior risco para a sua segurança.

No total, os 582 pacientes que farão parte do programa poderão receber até 30 gramas de maconha por mês.

As autoridades canadenses recomendam que os pacientes que receberem a droga não a fumem, mas a coloquem nas comidas e bebidas.

Cientistas dizem que o THC, presente na maconha, tem efeito de redução das dores e controle da náusea nos pacientes, por exemplo.

Segundo a lei canadense, podem usar maconha sem risco de punição apenas os doentes terminais cuja morte é prevista para até um ano, os doentes com sintomas associados com condições médicas muito sérias, especificadas na lei, e aqueles com condições médicas em que, segundo pelo menos dois médicos, os tratamentos convencionais não funcionaram.

Entre esses, podem estar doentes dos casos mais graves de artrite, de câncer, de Aids e de esclerose múltipla.