Governo de Israel corta relações com Yasser Arafat

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Publicado quinta-feira, 13 de dezembro de 2001 as 13:21, por: cdb

O governo israelense cortou relações com o líder palestino Yasser Arafat, dizendo que ele está fazendo muito pouco para parar o que Israel chama de terrorismo. Uma nota oficial do primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, divulgada logo após a reunião especial com o gabinete de segurança, dizia que Israel considerava Arafat “diretamente responsável” pelos recentes atentados.

“Yasser Arafat não é mais relevante ao Estado de Israel e não haverá mais contatos com ele”, afirma a nota.

A nota também diz que tropas israelenses serão em breve deslocadas para os territórios palestinos para efetuar prisões e confiscar armas. Israel anunciou a decisão ao mesmo tempo em que aviões F-16 e helicópteros bombardearam a Faixa de Gaza e a Cisjordânia.

A operação foi uma retaliação ao ataque palestino desta quarta-feira contra um ônibus num assentamento judaico, causando a morte de pelo menos dez pessoas. Em Gaza, duas bombas foram jogadas perto do escritório de Arafat, atingindo também a torre de radar do aeroporto internacional da cidade.

Helicópteros atacaram ainda uma antena de rádio perto do escritório de Arafatem Ramallah, na Cisjordânia. Aviões bombardearam uma pista de pouso de helicópteros usada por Arafat em Nablus, na Cisjordânia.

Uma mulher morreu de ataque cardíaco, e pelo menos sete pessoas foram feridas nos ataques israelenses. Arafat estava na sua residência em Ramallah no momento da operação.

Antes mesmo da reação israelense, a Autoridade Palestina anunciou o fechamento de todos os escritórios pertencentes aos movimentos Hamas e da Jihad Islâmica. “A Autoridade Palestina, em um encontro de emergência dirigido por Arafat, decidiu que as forças de segurança palestina fecharão imediatamente todas as instituições do Hamas e Jihad Islâmica, incluindo escritórios de educação, saúde e política”, informou um documento oficial.

Logo após aos ataques, o grupo Brigada de Mártires Al-Aqsa – ligado ao movimento Fatah, base de apoio de Yasser Arafat – assumiu a autoria do atentado contra o ônibus. “Isso é em resposta aos recentes assassinatos cometidos por israelenses na Faixa de Gaza e na Cisjordânia”, disse uma pessoa que ligou anonimamente para a agência de notícias Reuters.