Governo da Jordânia adverte filhas de Saddam

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Publicado domingo, 4 de janeiro de 2004 as 10:41, por: cdb

Marwan al-Muasher, primeiro-ministro da Jordânia, avisou às filhas do líder iraquiano Saddam Hussein para não fazerem declarações que “cheirem vagamente a política” enquanto elas forem convidadas do governo. Muasher disse ao jornal árabe al-Awsat numa entrevista publicada este domingo que a Jordânia não quer Raghad e Rana Hussein falando sobre os assuntos do Iraque ou sobre seu pai, que está preso nos Estados Unidos.

– Nós sempre dissemos que as filhas de Saddam estão em Amman por razões humanitárias, não políticas. Não gostamos e não queremos que haja nenhuma declaração que cheire vagamente a política.

Os comentários de Muasher parecem indicar que as irmãs estão constrangendo o governo da Jordânia, que além de ser um aliado-chave dos Estados Unidos no Oriente Médio tem interesses comerciais com o Iraque pós-Saddam.

Muitos iraquianos estão revoltados contra a Jordânia por ter recebido as filhas do ditador. Em agosto, um caminhão-bomba explodiu em frente à embaixada do país em Bagdá, matando 17 pessoas.

Raghad e Rana estão no país desde abril, quando as tropas americanas tomaram o controle de Bagdá. Desde que chegou, Raghad tem dado entrevistas à imprensa árabe.

Em 1996, Saddam ordenou a morte dos maridos de Ragah e Rana depois de acusá-los de dar ao Ocidente informações sobre as armas iraquianas.