Governo combete violência no Norte

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Publicado segunda-feira, 30 de maio de 2011 as 13:11, por: cdb

Os números de mortes no chamado “polígono da violência”, região que abrange Nova Ipixuna e mais 13 municípios contíguos no Sudeste do Pará, são inadmissíveis. Com taxas de assassinato que chegam a 60 por 100 mil/hab (média de 2007 a 2009), a região ocupou as manchetes nacionais com a morte de duas lideranças extrativistas, os militantes José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo.

Para piorar, no fim de semana, tivemos mais vítimas no Pará. O agricultor Erenilton Pereira dos Santos, testemunha do crime de Nova Ipixuna, foi encontrado morto no mesmo local em que o casal foi assassinato. O outro assassinato se deu em Porto Velho (RO). Adelino Ramos, que participava do Movimento Camponês Corumbiara e morava no Assentamento Agroflorestal Curuquetê, também foi abatido.

Em comum, todos tinham a luta pela preservação ambiental, a resistência aos madeireiros ilegais e a denúncia contra a atuação predatória na região. José Cláudio, Maria do Espírito Santo e Dinho, inclusive, figuravam na lista da Comissão Pastoral da Terra como marcados para morrer.

Reação do governo

Aplaudimos, portanto, a iniciativa do governo que, em reunião de emergência, deverá criar uma Área sob Limitação Administrativa Provisória (Alap) na tríplice divisa entre Amazonas, Acre e Rondônia. Diante da gravidade da situação na região, a intervenção na área tem como objetivo evitar novas mortes por conflitos semelhantes. A iniciativa será costurada com os Estados, e deve contar com a participação dos Ministérios da Justiça, do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário. Já, no Pará, a atenção será redobrada e terá foco nas “pessoas marcadas para morrer”, adiantou o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência).

Com 84 mil Km quadrados – ressalta José Roberto de Toledo hoje em sua coluna no Estado de S. Paulo – o polígono na região Norte tem área equivalente à da Áustria. Há dois anos, a região registrou o recorde de assassinatos em Marabá (PA) – 133 homicídios por 100 mil habitantes.

Assim como o governo, repudiamos veementemente as ações criminosas na região, fruto da ganância desmedida de grupos sem qualquer respeito pela vida humana ou pelo meio ambiente.