Governo chinês bloqueia acesso a portal do Google em Hong Kong

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Publicado terça-feira, 23 de março de 2010 as 15:08, por: cdb

O governo chinês disparou uma contraofensiva para restrigir o acesso ao portal do Google sediado em Hong Kong e não sujeito ao controle e censura estatal chinesa. Dessa forma, a China espera derrubar a iniciativa desenvolvida pela empresa famosa pelo portal de buscas de procurar evitar o controle estatal do governo chinês, ao mesmo tempo que mantinha presença e uma parcela do mercado de internautas daquele país, que cresce a taxas extremamente rápidas.

Mas os usuários na China continental não conseguem mais acessar o portal baseado no servidor de Hong Kong, porque o governo está conseguindo bloquear ou desabilitar quaisquer tentativas de acesso a este mecanismo de busca, além de bloquear os links resultantes de algumas das buscas que possam levar ao Google Hong Kong.

Autoridades em Pequim mostraram-se claramente aborrecidas com a decisão do Google, que trouxe atenção mundial às práticas e políticas de censura chinesas. As mesmas autoridades sinalizam ainda para a possibilidade de levar esta disputa para níveis ainda mais sérios.

Analistas da indústria e executivos chineses, que não quiseram se identificar por medo de possíveis retaliações do governo, apontaram para o fato de que a escalada de ações estatais pode, inclusive, criar problemas sérios para a área comercial do Google, um setor estratégico para a sobrevivência do serviço de buscas em território chinês.

“A temperatura deste confronto poderia baixar um pouco se as autoridades achassem aceitável que os usuários fossem redirecionados para o novo site, sem que percebam esta mudança”, afirmou Mark Natkin, diretor executivo da Marbridge Consulting, uma empresa de pesquisa do mercado de TI sediada em Pequim.

Ao mesmo tempo, Natkin afirmou que o governo pode estar preocupado com o resultado do confronto, que está deixando os usuários chineses do serviço de buscas bastante irritados. Estes usuários pertencem a uma elite bastante presente e ativa dentro do país. “Bloquear inteiramente o Google não é exatamente o melhor resultado que o governo chinês poderia desejar neste momento”.

O governo chinês, entretanto, classificou a atitude do Google como “completamente errada” e a imprensa controlada pelo governo acusou o Google de “politizar a Internet através da tentativa de introduzir conteúdos ocidentais estranhos aos usuários chineses”.

Uma fonte do Google que não quis se identificar afirmou que a China só agora começou a falar de liberdade na Web como um de seus “interesses estratégicos”, assuntos nos quais o governo de Pequim não aceita interferências externas como Taiwan e a questão do Tibet.
 
De acordo com a empresa, as autoridades chinesas não acenaram, em nenhum momento com a possibilidade de negociar sua política de censura dos resultados de busca do Google.