Governo Bush pode dialogar com a Coréia do Norte

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 8 de janeiro de 2003 as 16:00, por: cdb

Na terça-feira, a administração Bush, mudando sua aproximação para a Coréia do Norte em virtude da pressão de seus aliados na região, manifestou o desejo de conversar com o governo do presidente Kim Jong Il sobre o programa norte-coreano de armas nucleares. Mas ainda se recusou a oferecer incentivos para que o programa seja encerrado.

A nova posição da administração Bush, que foi negociada durante dois dias de conversas com enviados da Coréia do Sul e Japão, foi incluída em uma declaração conjunta das três nações. A declaração também manifestou apoio para a continuação de um “diálogo” separado com a Coréia do Norte pela Coréia do Sul e Japão.

Desde a surpreendente revelação, em outubro, do programa norte-coreano de armas nucleares, o presidente Bush e as autoridades de seu governo afirmaram, de várias formas, que a Coréia do Norte seria obrigada a eliminar seu programa antes que Washington negociasse ou até conversasse com Pyongyang. A declaração da terça-feira mudou esta posição.

“A delegação americana explicou que os EUA desejam conversar com a Coréia do Norte para que este país possa cumprir suas obrigações com a comunidade internacional”, afirmou o comunicado. “Porém, a delegação americana enfatizou que os EUA não oferecerão compensações para que a Coréia do Norte cumpra as obrigações existentes”.

O comunicado conjunto aparentemente representou um esforço do governo para minimizar uma atmosfera de confronto, que foi marcada por denúncias de Pyongyang e provas de desacordo na estratégia de negociação entre Washington e a Coréia do Sul. A mudança repentina também demonstrou um governo que aparentemente tenta reunir uma política coerente para lidar com o revitalizado objetivo da Coréia do Norte em construir armas nucleares.

Nas últimas 48 horas, o governo buscou minimizar a tensão em várias frentes. Em uma reunião de gabinete na segunda-feira, Bush repetiu várias vezes sua declaração sobre as intenções pacíficas dos EUA. Os americanos decidiram não levar imediatamente a questão para o Conselho de Segurança da ONU, uma medida que, pelas declarações anteriores do governo Bush, seria rapidamente realizada.

Um representante do governo sustentou que o comunicado da terça-feira era mais uma mudança de ênfase que uma alteração na política americana. “Nós estamos colocando mais ênfase no diálogo agora”, ele afirmou.