Governo britânico diz que já se prepara para a guerra

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Publicado terça-feira, 17 de dezembro de 2002 as 23:28, por: cdb

O Ministério da Defesa da Grã-Bretanha anunciou nesta terça-feira que o país está começando a se preparar para uma possível guerra contra o Iraque.

Segundo o órgão, já saíram do papel os planos para o fornecimento de armas e de navios que deverão levar tropas para o Golfo Pérsico.

Mas o ministério avisou que essas são apenas medidas de contingência – nenhuma tropa foi ainda deslocada nem sequer foi decidido a quantidade de soldados que seria necessária.

O anúncio britânico foi feito pouco depois que grupos da oposição iraquiana, reunidos em Londres, concordaram em reunir uma comissão que poderá formar a base de um novo governo em Bagdá.

Dossiê

Ainda nesta terça-feira, os dez membros temporários do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) devem receber versões editadas do relatório de armas do governo iraquiano, depois da declaração americana de que há “problemas” com o documento.

Dos 15 membros do conselho, apenas os Estados Unidos falaram até agora oficialmente sobre o relatório de 12 mil páginas entregue pelo Iraque no dia 7 de dezembro.

“Nós recebemos o relatório com descrença e, segundo as informações que recebi até agora, essa descrença tem fundamento”, disse o secretário de Estado americano, Colin Powell, na segunda-feira.

Os Estados Unidos também já deram sinais de que estão preparados para a guerra caso haja evidências de que o Iraque esteja desobedecendo a resolução da ONU adotada no dia 8 de novembro.

Os outros membros permanentes do Conselho de Segurança – China, França, Rússia e Grã-Bretanha – estão agora estudando o documento.

Eles receberam cópias exatas do documento, mas os membros temporários do Conselho receberão apenas uma versão editada, que pode não conter algumas informações importantes.

A Rússia indicou que iria esperar por informações do chefe da equipe de inspeções da ONU, Hans Blix, e da Agência Internacional de Energia Atômica (Iaea, na sigla em inglês), antes de dar sua opinião sobre se o Iraque está ou não desobedecendo a ONU.

Blix e o chefe da Iaea, Mohamed El Baradei, deverão fazer seus comentários sobre o dossiê do Iraque na quinta-feira.

A Noruega e a Síria já deram sinais de irritação sobre a maneira como os Estados Unidos se apoderaram do dossiê entregue pelo governo iraquiano.

A Casa Branca informou que o presidente George W. Bush poderá dar uma resposta formal ao documento em poucos dias.

O correspondente da BBC em Washington, Justin Webb, disse que um dos problemas que deverá ser destacado pelos Estados Unidos é a falta de explicação do governo iraquiano sobre os agentes biológicos e químicos que possuía em 1998, quando os inspetores deixaram o país.

Novas inspeções

Nesta terça-feira, pelo menos seis equipes de inspeção da ONU visitaram locais suspeitos no Iraque.

Um grupo voltou à Universidade de Bagdá para mais investigações, segundo a agência de notícias France Presse.

Equipes de balística retornaram à fábrica de fibras de vidro Zat al-Sawary, no norte de Bagdá, de propriedade da Corporação de Indutrialização Militar do Iraque.

Enquanto isso, as primeiras amostras coletadas pelos inspetores no Iraque já chegaram ao laboratório da Iaea na Áustria, onde elas serão analisadas para saber se há qualquer vestígio de programas de armas nucleares.

Uma análise inicial das oito amostras levará de duas a três semanas para ser concluída, de acordo com o que um porta-voz da Iaea disse à agência de notícias Associated Press.

Outras 20 amostras deverão chegar ao laboratório até o fim desta semana.

A Iaea informou que espera ter os resultados da análise das primeiras amostras até o dia 27 de janeiro, quando o presidente da agência deverá fazer seu relatório ao Conselho de Segurança.