Governador do Rio troca comandante da PM e pune manifestantes

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Publicado terça-feira, 29 de janeiro de 2008 as 12:54, por: cdb

O coronel Ubiratan de Oliveira Angelo foi exonerado do cargo de comandante-geral da Polícia Militar pelo governador Sérgio Cabral, na terça-feira. Para o cargo de Ubiratan foi confirmado o coronel Gilson Pitta Nunes que chefiava a PM2, o serviço de inteligência da corporação. O novo chefe do estado-maior da PM é o coronel Antônio Carlos Suarez David, atual comandante de policiamento na capital, encarregado pelo secretário José Mariano Beltrame de punir os manifestantes que, neste domingo, fizeram passeata por melhores salários.

Em reação a uma passeata de cerca de 300 manifestantes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros por melhores salários, domigo, na praia do Leblon, na Zona Sul, o governo do Rio de Janeiro anunciou que “todos os oficiais – sem exceção – que participaram da manifestação do último fim de semana serão exonerados e ficarão fora de função até segunda ordem”. Pelo menos oito oficiais com comando estavam no protesto.

O ato foi considerado uma “insubordinação” e “ofensivo” ao governador Sérgio Cabral e ao secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame. Os manifestantes se aproximaram da residência particular de Cabral, no Leblon, que recebeu reforço no policiamento.

Ubiratan permaneceu no cargo por um ano e um mês. Sob seu comando, houve forte mobilização pela equiparação salarial, principalmente no ano passado, durante os Jogos Pan-Americanos.

Na noite desta segunda-feira, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, se reuniu com o chefe da Inteligência, Edval Novaes, e com o subsecretário operacional, Roberto Sá. Eles teriam decidido pela troca no comando e ainda submeteriam o novo nome ao governador Sérgio Cabral.

A primeira sinalização de que haveria mudanças no comando foi a escolha do coronel Mauro Assad Couto. Assad, ligado a um grupo diferente do da atual gestão, foi um dos primeiros coronéis a perder comando — o da Diretoria de Ensino e Instrução da PM. Colocado na ‘geladeira’, ele voltou à ativa exatamente no lugar de um dos coronéis mais ativos na briga por equiparação salarial.

Em seguida, o governador se irritou ao saber que a passeata de 300 policiais de Ipanema ao Leblon precisou da autorização do próprio comandante-geral — já que os militares estariam infringindo a lei se não tivessem feito consulta a um superior.

Dentro de 60 dias, 20 mil policiais militares deverão começar a receber uma gratificação extra que elevará em R$ 400 o salário de quem já recebe pagamento de até R$ 1.400 mensais. O aumento está previsto no Bolsa Formação, do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), e foi anunciado ontem em reunião entre o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, o secretário Nacional de Segurança, Antônio Carlos Biscaia, e o ministro da Justiça, Tarso Genro.

Qualquer PM dentro dessa faixa salarial poderá se inscrever nos 22 cursos gratuitos, que poderão ser presenciais ou a distância e terão três meses de duração. Alguns deles ainda serão implantados.

O ministro Tarso Genro descartou as Forças Armadas nas comunidades que receberão as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como o Complexo do Alemão.

— Não é necessário, nem recomendável, nem constitucional. O Exército não é destinado a esse tipo de ação —, disse.