Gol investe na compra de aeronaves para conquistar o mercado

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Publicado quarta-feira, 22 de agosto de 2001 as 18:45, por: cdb

A guerra de tarifas entre as empresas aéreas já está fazendo com que vôos em rotas mais distantes fiquem mais baratos para os usuários do que para destinos mais curtos. É o caso da linha entre Congonhas (SP) e Goiânia (GO), um percurso de 822 quilômetros, cuja tarifa cobrada pela TAM é de R$ 504. Entre Congonhas e Brasília, trecho 51 quilômetros mais longo, a passagem cai para R$ 332, o que corresponde a uma redução de 34,1%.

A diferença ocorre porque seis empresas operam no trajeto entre Congonhas e Brasília, entre elas a novata Gol, que tem exatamente a tarifa promocional de R$ 332. Mas apenas duas companhias aéreas voam de Congonhas para Brasília, com preços sem promoção. Para a capital federal o fluxo de passageiros também é muito maior, o que compensa eventuais perdas de margem de lucro. Estes preços se referem às tarifas mais baixas das empresas em cada rota.

A Gol tem investido pesado para ganhar mercado num setor altamente competitivo. A empresa deverá aumentar em 40% sua frota no ano que vem. A Gol – que já detém 5,12% do mercado aéreo nacional _ planeja adquirir quatro novos Boeing 737-700 em 2002. Até outubro, a frota atual somará dez jatos, com a chegada de dois novos aviões, um no mês que vem e outro em outubro. Enquanto isso, a empresa aérea evolui, sob o fogo cerrado das concorrentes de maior porte. Em setembro, abrirá três novos destinos.

A disputa é tamanha que os golpes estão sendo desferidos com antecedência. Entre o fim de agosto e o início de setembro, a empresa iniciará novos vôos entre Congonhas (SP) e as cidades Cuiabá (MT), Campo Grande (MS) e Belém (PA). Mesmo antes de a empresa entrar na rota, a Rio Sul – que tem 8,98% da demanda no país – atencipou-se e colocou um vôo em horário próximo ao previsto pela empresa novata, conta o diretor de Vendas da Gol, Mário Bento.

“Isto tem sido uma tônica freqüente, faz parte do jogo da concorrência”, disse Bento. “Estamos fazendo tudo o que o mercado dita que tem de ser feito. A idéia é sermos rápidos nas decisões nestes tempos de competição acirrada”, reconheceu George Ermakoff, presidente da Rio Sul.

Segundo Bento, a Gol pretende chegar a ter algo entre 8,5% e 9% de participação de mercado, a partir de outubro, quando já estará voando com dez jatos.

Na última segunda-feira, a Gol, do empresário Nenê Constantino passou o dia numa reunião, discutindo planos. “A princípio, este ano não deverão chegar novos jatos além do previsto”, disse o diretor da Gol. A empresa chegou a receber propostas consideradas vantajosas para operar jatos 737-300, mas descartou e preferiu manter a padronização com os modelos 737-700. Depois de chegar ao milionésimo passageiro no último dia 8, a empresa pretende agora manter a média de 250 mil passageiros por mês.

Apesar da liberação de preços, a Gol informa que não reajustou suas tarifas. Conta a seu favor o fato de ter começado a operar em janeiro, com uma planilha, portanto, menos defasada das demais empresas. Além disso, argumenta o executivo, a empresa é enxuta e tem uma média de cem empregados por jato, inferior à média de mercado, segundo ele, entre 130 e 160 funcionários. Em agosto, a empresa deverá apresentar “ligeiro” crescimento comparado a julho. Mesmo levando em conta os argumentos, contudo, a Gol sofre, como as demais, os mesmos impactos da alta do dólar sobre as prestações das aeronaves.