Geração de empregos é o maior desafio para Alagoas

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Publicado segunda-feira, 5 de janeiro de 2004 as 09:51, por: cdb

O desenvolvimento de Alagoas tem como desafio dinamizar a entrada de novos capitais industriais e conseqüentemente a inclusão de cerca de 283 mil desempregados no mercado de trabalho, informou a Gazeta de Alagoas.

O número é aproximado, mas tem como referência a média nacional, porque o Estado sequer é pesquisado, neste item, pelo IBGE. Mas o próprio governador Ronaldo Lessa (PSB) admite que o número pode ser ainda maior, em torno de 1 milhão de excluídos, quase um terço da população alagoana. A revelação foi feita na última sexta-feira durante a solenidade de posse dos secretários.

As condições objetivas para essa “transformação” já foram criadas. Segundo o secretário da Célula de Desenvolvimento Econômico, Arnóbio Cavalcante, atualmente o Estado conta com crédito dentro e fora do País, além de ter uma agenda de desenvolvimento. Ele revela que ao contrário dos demais governos atualmente o Estado integra de forma “articulada” com as políticas federais.

– Depois de ajustarmos as contas e sairmos do vermelho em termos econômicos, estamos com as condições ideais para que possamos receber empresas. Nesse sentido, foi fundamental a recuperação de nossa capacidade de endividamento e de oferecer contrapartida (recursos do Estado para receber investimentos), para criarmos condições estruturantes – aegumenta Arnóbio.

As condições que hora se apresentam foram esquecidas há pelo menos vinte. Nesse período o Estado ficou de fora da chamada “agenda de desenvolvimento nacional” e há quarenta anos sem uma estratégia que viabiliza políticas de desenvolvimento.

Nesse período os Estados vizinhos, que já apresentavam condições financeiras favoráveis, conseguiram fazer renúncia fiscal para viabilizar a instalação de empresas. Surgia então a “guerra fiscal”. Mas a reforma tributária eliminou isso e agora os Estados entrarão na disputa em condições iguais.

 A história de Alagoas mostra que os últimos investimentos de “ações estruturantes” aconteceram nos anos 60.

O secretário Arnóbio conhece toda a trajetória desse período. E destaca a instalação de empresas como: Companhia Energética de Alagoas (Ceal), Companhia de Abastecimento de Saneamento e Água de Alagoas (Casal), do Produban (Banco Estadual) e a Companhia Telefônica de Alagoas (CTA), que depois se transformou na também extinta Telasa. Conforme explica o secretário, estes investimentos faziam parte da política econômica desenvolvida pelo governo militar da época.

 Por conta dessas ações na década seguinte (70) Alagoas viveu o “boom econômico”. Nesse período a economia alagoana se revelou como uma força no turismo, chegou a ser o terceiro em arrecadação e chegou a ter principal bacia leiteira em relação ao Nordeste.

Mas o que representou um avanço caiu no descaso dos governos seguintes. O resultado foi que nos anos 80 o Estado passou a ficar de fora da “agenda nacional”. Daí pra frente o serviço público passou a ser o maior empregador e no setor produtivo as indústrias sucroalcooleiras.

Quando os anos 90 chegaram trouxeram consigo as derrocadas dos planos econômicos, o que naturalmente elevou as taxas de inflação. Foi a partir daí que os Estados, que já estavam fortalecidos com seus parques industriais, foram em busca do prejuízo.

– É exatamente aí que explode a guerra fiscal. Onde cada um quis oferecer condições favoráveis para a instalação de novas empresas. Enquanto todos estavam em condições de abrir mão, nós não pudemos oferecer renúncia fiscal, além da perdas de ativos financeiros. Fomos duplamente penalizados porque não participamos da guerra fiscal e ainda perdemos o que tínhamos conseguido como a Codeal, Ceal, Produban e Emater. Ou seja, os ativos construídos para um modelo estruturado foram embora – analisou o secretário Arnóbio.

Enquanto Alagoas “quebrava” financeiramente, os Estados da Bahia, Pernambuco e Sergipe apresentaram um grande desenvolvimento. Isso ocorreu por