Geórgia bane símbolos do comunismo e do nazismo em meio a ambiente tenso no país

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Publicado quarta-feira, 1 de junho de 2011 as 14:22, por: cdb
Geórgia
Manifestante na Geórgia é preso durante revolta popular abafada pelas forças de segurança

O parlamento da Geórgia baniu o uso de símbolos nazistas e comunistas no país e aprovou, nesta quarta-feira, um pacote de restrições legais para as pessoas ligadas à ex-União Soviética, tanto às agências do serviços secretos quanto às organizações do Partido Comunista da antiga URSS. As alterações fazem parte da Carta da Liberdade, votada no Parlamento após três rodadas de votações, em meio a um ambiente de tensão no país.

Autor do documento, o deputado e chefe da facção Geórgia Forte, Giya Tortladze, comemorou:

– O público tem esperado a adoção desta lei há duas décadas, e eu estou orgulhoso de aprovação do documento. O objetivo da Carta é tomar medidas preventivas para combater a ideologia comunista ou nazista, invasões sobre os princípios da segurança do país, contra o terrorismo e os crimes contra o Estado. Ele tem de contribuir para o funcionamento eficaz das normas legais para garantir a segurança nacional e ao desenvolvimento democrático do país.

Confusão nas ruas

A Geórgia vive um momento de efervecência política, em meio a uma série de manifestações contra o presidente georgiano Mikheil Saakashvili. Os manifestantes foram dispersados, na semana passada, após uma sangrenta batalha campal que resultou em dois mortos e, no mínimo, 37 feridos. As duas vítimas fatais, segundo o diário espanhol El Mundo, são um policial e um ex-oficial do exército. Eles teriam sido atropelados por ativistas, que fugiram após o incidente. As autoridades usaram balas de borracha, gás lacrimogéneo e canhões de água para dispersar os manifestantes.

Os cerca de 5 mil manifestantes estavam reunidos há cinco dias na capital, Tbilissi, em frente ao parlamento, para pedir a demissão de Saakshvili, que acusam de ter sido reeleito através de fraude eleitoral e de ter responsabilidades na derrota georgiana na guerra pela soberania na Ossétia do Sul, que durou cinco dias, em 2008, e resultou na ocupação russa dos territórios caucasianos da Ossétia do Sul e da Abecásia.

O líder georgiano disse na véspera, que se tratou de “uma tentativa de realizar protestos de acordo com um cenário escrito fora da Geórgia, para contrariar e sabotar as celebrações do Dia da Independência e perturbar a ordem pública no país”. Saakshvili acrescentou:

– Este dia foi escolhido a dedo pelos nossos ocupantes (…) estaremos vigilantes e vamos responder adequadamente a qualquer provocação pelo nosso inimigo e ocupante.

São claras as alusões à Rússia, que continua a manter contingentes militares destacados nas regiões do Cáucaso. Moscou ainda não se pronunciou sobre as acusações.

Saakashvili tinha também culpado a Rússia pelos protestos de Novembro de 2007 em Tbilissi, que duraram também cinco dias e foram igualmente reprimidos violentamente pelas autoridades. Em pouco menos de uma semana, é a segunda vez que a Geórgia aponta armas diplomáticas ao Kremlin: no dia 20 deste mês o parlamento georgiano aprovou por unanimidade o reconhecimento do genocídio dos circassianos, levado a cabo pela Rússia dos czares em 1864. A Geórgia tornou assim a reconhecer o massacre, na véspera no Dia da Memória Circassiano e sublinhou o afastamento da Rússia por parte dos países do Cáucaso.

Bruxelas condena

A repressão aos oposicionistas desagradou à Comissão Europeia, que classificou a ação policial de “lamentável”. A porta-voz da Comissão Europeia, Natasha Butler, disse à agência francesa de notícias AFP:

– Entendemos a necessidade de manter a lei e a ordem, mas já tínhamos dito ao governo georgiano que consideramos que isso terá de ser feito de forma racional. A liberdade de reunião é um direito democrático e a Geórgia deverá assegurar esse direito.

O embaixador norte-americano na Geórgia, John Bass, foi mais brando na reação e mostrou-se de acordo com a posição de Saakashvili em relação aos protestos:
– Preocupam-me as indicações da existência de elementos dentro destes grupos de opositores que parecem estar mais interessados em forçar confrontos violentos que em protestar pacificamente – disse Bass, logo após os incidentes.