Genoíno comenta crise do PT

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Publicado sexta-feira, 7 de fevereiro de 2003 as 20:32, por: cdb

Num artigo publicado hoje, no site do Partido dos Trabalhadores, o presidente nacional do PT, José Genoíno cometou a suposta crise que teria se formado entre a cúpula do PT e as chamadas alas mais radicais do partido. Genoíno negou a existência de tal crise e classificou os recentes incidentes como “uma crise localizada que deriva do comportamento político pessoal de integrantes dessas tendências [mais radicais do PT]”.

Genoíno afirmou ainda que o PT tem sido vítimo de “articulistas da imprensa”, que segundo ele acusavam o PT de exigir disciplina de ação ou de voto por parte de seus parlamentares.

“Antes de tudo é preciso dizer que o PT talvez seja o único partido no Brasil que garante estatutariamente a liberdade de expressão e a liberdade de opinião de seus integrantes. Garante também o chamado voto de consciência. Isto é, em questões éticas ou religiosas, o PT não obriga nenhum parlamentar a seguir a decisão do partido ou da maioria”.

“Ressalvadas as questões de natureza ética e religiosa, o parlamentar obriga-se a seguir a decisão do partido ou da bancada. A disciplina de voto é uma prática universal, que existe em praticamente todas as democracias do mundo. A própria legislação partidária brasileira prevê a disciplina partidária em caso de fechamento de questão. A disciplina partidária ou de voto é decisiva para a existência de partidos e da própria democracia.”

Ao falar sobre as críticas à política econômica, Genoíno as classificou como “uma evidente precipitação” e declarou que Lula está mantendo a coerência com aquilo que foi defendido na campanha, mas lembrou aos críticos que apesar de todos quererem mudanças, tais mudanças levam tempo.

“O governo e o PT não podem promover mudanças às pressas, sem apoio da sociedade e sem apoio político. Esta forma de procedimento poderia isolar o governo e o PT e bloquear qualquer avanço significativo, no sentido de consolidar mais justiça e mais democracia no Brasil”.

“As mudanças, a rigor, já começaram. A aposta no social e as políticas de crescimento e geração de emprego que estão sendo e serão implementadas são provas resolutas de que o governo do Lula veio para mudar o Brasil. O governo deve seguir o caminho da responsabilidade, da prudência e da ousadia. Não pode se deixar pressionar pelas veleidades voluntaristas que nada produzem, além de impotências e crises. A Venezuela está aí para nos ensinar uma dura lição”.