General iraquiano descreve tentativa de construir armas nucleares

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Publicado terça-feira, 10 de dezembro de 2002 as 00:10, por: cdb

No domingo, um general iraquiano, que está entre os principais assessores do presidente Saddam Hussein, desafiou os EUA e o Reino Unido a apresentar provas de que o Iraque ainda possui armas de destruição em massa ou os programas para desenvolvê-las. Mas ele indicou que a inteligência americana estava certa quando afirmou que o Iraque esteve próximo de construir uma bomba atômica em 1991, durante a Guerra do Golfo e que o artefato teria a mesma potência da bomba lançada em Nagasaki.

Adotando uma postura de autoconfiança e desafio, a autoridade iraquiana, general Amir al-Saadi, afirmou em uma coletiva de imprensa que declaração de 12,000 páginas, apresentada pelo Iraque à ONU e que nega a existência de armas proibidas ou dos programas para produzi-las, era “completamente precisa”.

A longa declaração iraquiana foi entregue na representação da ONU em Viena, Áustria, e foi também endereçada a Nova York, e os especialistas imediatamente iniciaram a difícil tarefa de determinar se o material revela qualquer atividade ilegal.

O governo Bush alertou a CIA e os laboratórios nacionais sobre a tarefa de analisar o documento, pedindo que os especialistas analisem algumas declarações que, segundo acreditam os EUA, podem ser provadas como falsas. Mas reservadamente, os representantes do governo reconhecem que não há informações secretas indicando que o Iraque manteve suas tentativas de adquirir armas nucleares, biológicas e químicas.

O governo Bush afirmou que pretende analisar o documento e indubitavelmente se concentrará nas afirmações mais impressionantes da coletiva de imprensa de Saadi: seu reconhecimento da extensão do progresso iraquiano em construir uma bomba nuclear em 1991.

O general de 64 anos parecia orgulhoso, e até arrependido pela Guerra do Golfo contra os EUA, que teria interrompido o mais ambicioso projeto bélico do Iraque.

O progresso iraquiano em alcançar uma arma nuclear foi narrado detalhadamente pela agência internacional atômica e pela CIA.

O general dedicou a maior parte de sua coletiva de imprensa, que se estendeu por aproximadamente uma hora, para explicar o programa nuclear do Iraque, de acordo com a descrição oferecida ao Conselho de Segurança. Ele citou uma parte do trabalho iraquiano para desenvolver um “gatilho” para a bomba e alcançar “o projeto final do dispositivo”.

Segundo ele colocou, todos os trabalhos foram encerrados em 17 de janeiro de 1991, dia que o presidente Bush ordenou o início do bombardeio contra o Iraque, cinco meses depois da invasão do Kuwait.