Gasolina no Brasil é 20% mais cara do que no exterior

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Publicado quinta-feira, 16 de janeiro de 2003 as 00:55, por: cdb

Depois de ficar defasada no ano passado, a gasolina está 22% mais cara no Brasil em comparação ao mercado internacional. O cálculo foi feito pelo Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), que acompanha o valor do combustível no mercado interno e externo, diariamente. A diferença, na análise do diretor do CBIE, Adriano Pires, se deve principalmente à valorização do real nos últimos dias.

“Apesar de se manter em alta no mercado internacional, devido ao cenário instável de possibilidade de guerra no Iraque e greve na Venezuela, a gasolina sofreu no Brasil o impacto da queda do dólar nos últimos dias”, comentou. O preço do diesel também acumula uma diferença frente ao mercado internacional, segundo o CBIE, de 8%.

No ano passado, tanto a gasolina como o diesel produzidos em território nacional estiveram por quase três meses – entre julho e novembro – em defasagem frente ao mercado externo, devido à decisão do governo federal de não repassar a diferença de preço para o consumidor no período eleitoral.

Desde a abertura do mercado, o governo havia optado por manter o alinhamento dos preços para atrair investidores para o setor, apesar de o Brasil produzir 80% dos combustíveis consumidos.

A defasagem, segundo analistas, pode ter custado aos cofres da Petrobras US$ 300 milhões ao mês, ou um total de quase R$ 3 bilhões. “É um dinheiro perdido que não há como repor”, analisa Adriano Pires.

Ele acredita, entretanto, que a diferença entres os preços interno e externo ainda não deveria ser repassada para os consumidores. “O cenário internacional está absolutamente instável e ainda não é possível definir se a queda do dólar veio para ficar”, disse Pires.

Em sua opinião, entretanto, o governo deveria aproveitar o momento para estabelecer um fundo com o valor arrecadado acima do mercado internacional, para que não precisasse repassar de imediato novos aumentos, como alta no preço do petróleo em caso de guerra.

O secretário executivo do Ministério das Minas e Energia, Maurício Tolmasquin, havia afirmado em entrevista na semana passada que a política do novo governo é de manter o alinhamento de preços. Tolmasquin afirmou, entretanto, que em caso de o preço internacional se elevar por conta de uma guerra, a opção do governo seria “segurar os preços” para evitar o impacto maior sobre o consumidor.