Garotinho ganha fôlego e se credencia para disputar Governo do Rio em 2014

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Publicado segunda-feira, 22 de outubro de 2012 as 08:40, por: cdb

Garotinho ganha fôlego e se credencia para disputar Governo do Rio em 2014

Eleições em importantes cidades no segundo turno podem fortalecer ainda mais o ex-governador, ainda às voltas com a Justiça

Por: Maurício Thuswohl, da Rede Brasil Atual

Publicado em 22/10/2012, 10:35

Última atualização às 10:36

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Anthony Garotinho ensaia ressurgimento no cenário das disputas pelo Executivo fluminense, inspirado pelos resultados das urnas neste ano (CC/Ag. Câmara)

Riode Janeiro – O resultado das urnas nas sete cidades fluminenses onde haverásegundo turno para as eleições municipais no próximo domingo (28) poderáconsolidar o retorno de um nome muito conhecido à linha de frente da política doRio de Janeiro. Embalado pela vitória obtida em 25 cidades do interior no primeiroturno e livre, até segunda ordem, de seus problemas com a Justiça, o ex-governadorAnthony Garotinho, atualmente deputado federal pelo PR, surge como nome forte para a disputa pelo Governo do Estado em 2014, apesar do fracasso de suaaliança com o ex-prefeito Cesar Maia (DEM) na capital.

Nosegundo turno, Garotinho tem chances de vitória em cidades politicamente importantescomo São Gonçalo, segundo maior colégio eleitoral do Estado, Volta Redonda eBelford Roxo. Nos três casos, os candidatos do PR ou apoiados pelo partidoenfrentarão adversários do PMDB ou de partidos que compõem a base do governadorSérgio Cabral. A disputa antecipa 2014, quando Garotinho deverá ter comoadversário o vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), que conta com o apoiode Cabral. Outro virtual candidato ao governo estadual é o senador petistaLindbergh Farias.

EmSão Gonçalo, Neilton Mulin (PR) enfrenta Adolfo Konder (PDT), que tem o apoiode Cabral após a derrota da candidata do PMDB no primeiro turno. Em VoltaRedonda, o prefeito Antônio Francisco Neto (PMDB) tenta a reeleição contra JorgeZoinho (PR). Em Belford Roxo, Dennis Dauttman (PCdoB), com o apoio dogovernador, enfrenta o ex-pagodeiro e pastor evangélico Waguinho (PRTB), aliadode Garotinho.

Nasduas cidades mais importantes da Baixada Fluminense, os candidatos apoiados porCabral no segundo turno são peemedebistas que já foram aliados de Garotinhoquando este governava o Rio e presidia o partido. Por isso, em caso de dueloentre o ex-governador e o PMDB em 2014, é impossível prever o comportamento tantode Nelson Bornier (Nova Iguaçu) quanto de Washington Reis (Duque de Caxias), fatoque leva Garotinho a apoiá-los, ainda que de forma discreta, contra Sheila Gama(PDT) e Alexandre Cardoso (PSB), respectivamente.

Comcandidatos da própria legenda, o PR venceu no primeiro turno em apenas seismunicípios fluminenses, mas candidaturas apoiadas por Garotinho venceram emoutros 19 municípios, fortalecendo o ex-governador, sobretudo nas regiões Nortee Noroeste do Estado, seu maior reduto político.

Aprincipal vitória do grupo de Garotinho aconteceu em Campos, onde sua mulher, aprefeita Rosinha Garotinho (PR), foi reeleita com 70% dos votos. Enquadrada naLei de Ficha Limpa, a ex-governadora chegou a ter sua candidatura indeferidadurante a campanha, mas uma liminar concedida pelo ministro Marco Aurélio Mellono Supremo Tribunal Federal (STF) permitiu que concorresse. Seu caso ainda vaia plenário.

Problemas com a Justiça

Rosinhatem duas condenações no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) poruso indevido dos meios de comunicação e abuso de poder econômico nas eleições de2008. Tornada inelegível por três anos, assim como Garotinho, a prefeita deCampos obteve uma liminar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para continuarno cargo. Seu caso até hoje está em suspenso, sem ter sido julgado no TSE, damesma forma que a ação no STF relacionada à Lei de Ficha Limpa. Nesta última,se condenada pelo Supremo, Rosinha estará inelegível por oito anos a partir dadata da condenação.

Mesmoas incertezas do casal Garotinho em relação à Justiça foram amenizadas na quarta-feira(17), quando o STF rejeitou por seis votos a um a denúncia contra oex-governador por participação em um esquema de compra de votos nas eleições de2004 para a Prefeitura de Campos, quando Rosinha governava o Rio e o candidatoa prefeito era Geraldo Pudim (PMDB). Garotinho não comentou a decisão do STF publicamenteou em seu blog, mas pessoas próximas ao ex-governador comemoraram uma vitória naJustiça que, aliada ao novo fôlego dado pelas urnas, o credenciam para pleitearnovamente o Governo do Estado.

Emoutra frente, no entanto, o Ministério Público Federal obteve na véspera da votaçãodo primeiro turno uma liminar bloqueando todos os bens de Garotinho, Rosinha emais 17 pessoas, acusadas de desviarem R$ 1 milhão dos cofres públicos estaduaispara irrigar campanhas eleitorais entre 1999 e 2006, período em que o casalgovernou o Rio. Indagados sobre essa ação em meio à comemoração pela reeleição deRosinha em Campos, os ex-governadores se disseram “vítimas de perseguição política”e garantiram aos jornalistas que seus bens não estão bloqueados.

Sem Cesar

Apesarda análise positiva do quadro formado pelas eleições municipais, Garotinho jádeu sinais de que irá abandonar um projeto que imaginou como um dos alicerces paraseu retorno em 2014: a aliança com o ex-prefeito Cesar Maia, antigo _ eferrenho _ adversário na política estadual. O acordo entre os dois caciques parecenão ter sido bem assimilado pelo eleitorado carioca, e a chapa para aPrefeitura do Rio formada pelos herdeiros Rodrigo Maia (DEM) e ClarissaGarotinho (PR) naufragou nas urnas, chegando em terceiro lugar com apenas 2,94%dos votos válidos.

Tãologo saiu o resultado das eleições no Rio, Garotinho iniciou suas críticas àcampanha da dobradinha com o DEM na capital: “Eu propus, assim que firmamos aaliança e também no início da campanha eleitoral, que eles (Rodrigo e Clarissa)se dedicassem a buscar o nosso eleitor, o eleitor do Garotinho, que é umeleitorado de massa. No entanto, eles preferiram buscar os eleitores do CesarMaia na Zona Sul. A campanha deu no que deu”, disse.

Durantea campanha, Garotinho praticamente não participou de atividades de rua e somenteapareceu no programa de tevê de Rodrigo no dia 17 de setembro, já na reta finalda campanha eleitoral. Ainda assim, o momento em que o ex-governador mais sefez notar aconteceu quando fez o que julgou ser uma crítica ao prefeito EduardoPaes (PMDB), dizendo que ele “vai a passeatas gay de manhã e depois vai à igrejaevangélica dar glória a Deus”. O prefeito, que foi reeleito no primeiro turno,obteve direito de resposta no programa da aliança DEM/PR e a posição de Garotinhomereceu o repúdio dos movimentos sociais, fato que não contribuiu para ofortalecimento da aliança com Cesar.