Garotinho diz que redução dos juros deve continuar

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Publicado quarta-feira, 17 de julho de 2002 as 19:20, por: cdb

Candidato do PSB a presidente da República, Anthony Garotinho afirmou em Belo Horizonte que a redução da taxa básica de juros de 18,5% para 18%, decidida pelo Banco Central nesta quarta-feira, vai ao encontro de suas previsões de que a medida era possível. Garotinho lembrou que defendeu a medida em palestra feita na segunda-feira na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.

“Eu disse que havia espaço macroeconômico para que essa decisão fosse adotada”, observou, referindo-se à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Ele comentou a medida em entrevista na Federação das Associações Comerciais, Industriais, Agropecuárias e de Serviços de Minas (Federaminas). “Agora temos que esperar o comportamento da economia por 30 dias, para ver com reage, e na próxima reunião do Copom continuar a promover a queda dos juros”.

Garotinho advertiu, porém, que o sinal dado ao mercado com a decisão do Copom pode ser em vão se o governo optar pela “política de gangorra e ficar no sobe e desce” em relação à taxa básica dos juros. Ele voltou a condenar a política de juros altos adotada pelo governo, assinalando que ela vem sufocando a atividade produtiva, reduzindo o nível de emprego e favorecendo apenas o setor financeiro.

Para o candidato do PSB, a opção pelos juros altos, para a atração de capitais financeiros, e a abertura do mercado a importações que prejudicam a produção nacional tornou vulnerável a economia brasileira. Referindo-se às dificuldades vividas pela Argentina, pelo Uruguai e pelo Paraguai, Garotinho alertou:

“A lição que nós, brasileiros, devemos tirar, olhando o problema de nossos vizinhos, é a de que não podemos cometer os mesmos erros que eles cometeram e que a atual política econômica está cometendo. Se queremos um país de periferia, que não esteja no centro da economia mundial, o modelo está correto. Mas se queremos ser um país que se coloque no centro da economia mundial, compartilhando com outras grandes nações um modelo econômico que seja bom para todos, é preciso mudar”.
As mudanças, defendeu Anthony Garotinho, dependem de medidas como a redução dos juros, o aumento da oferta de crédito para a produção e a reforma tributária, necessária para desonerar a atividade produtiva da pesada carga de impostos. “É preciso que o povo brasileiro, na hora de votar, faça uma reflexão sobre tudo isso que está acontecendo na Argentina, no Uruguai e no Paraguai”, alertou.