Garotinho defende que não faz oposição a Lula e quer ficar no PSB

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Publicado sexta-feira, 20 de junho de 2003 as 21:24, por: cdb

Ameaçado de expulsão do PSB por causa das críticas freqüentes ao governo federal, o ex-governador e atual secretário de Segurança do Rio, Anthony Garotinho, afirmou nesta sexta-feira que não está fazendo oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas apenas sendo coerente com o que defendeu na campanha presidencial.

Garotinho disse que quer ficar no PSB. A executiva nacional do partido reúne-se na próxima semana para decidir o destino do ex-governador. Garotinho já avisou que, se for expulso, não ingressará em nenhum outro partido.

Sua mulher, a governadora Rosinha Matheus, anunciou que, nesta hipótese, também deixará o PSB e ficará sem legenda.

– Dizem que quero fazer oposição ao Lula. Eu não quero fazer oposição ao Lula e nem ao governo – disse o secretário, durante solenidade de entrega de novos carros da Polícia Militar.

Garotinho repetiu, porém, várias críticas que vem fazendo ao governo federal, especialmente contra a reforma da Previdência e as altas taxas de juros.

– Eu apenas estou cobrando do governo coerência em pontos muito claros: quanto à questão da política macroeconômica, que era alvo de críticas do próprio candidato do PT durante a campanha, quanto à reforma da Previdência e quanto à reforma tributária -disse Garotinho.

– No meu entender a reforma da Previdência deve ocorrer, mas sem mexer nos direitos adquiridos e sem afetar profundamente as carreiras típicas de Estado, porque isso enfraquece. Ninguém quer uma Justiça fraca – declarou.

O ex-governador disse ainda que “essa história de transformar a CPMF em permanente é uma covardia com a população”. Na semana passada, Garotinho disse que, se tiver de sair do PSB, será “a contragosto” e comentou o destino de Rosinha e de prefeitos e deputados que são seus aliados.

– A governadora já disse que sairá comigo. Agora, cada um é livre para buscar o seu caminho. Cada um vai tomar a decisão conforme a sua consciência. Para Rosinha e Garotinho não há problema em ficar sem legenda ano que vem, porque as eleições são municipais e eles não serão candidatos.

A dificuldade será para os aliados do casal que pretendem ser candidatos a prefeito ou a vereador. Garotinho disse ter “visibilidade suficiente” para continuar na política sem partido e planeja, se deixar o PSB, dedicar-se apenas à Secretaria de Segurança.

– Afinal de contas, foram 15 milhões e 200 mil brasileiros que confiaram na minha proposta – observou o secretário, se referindo ao número de votos que teve na eleição presidencial, quando ficou em terceiro lugar, atrás de Lula e José Serra (PSDB) e na frente do atual ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes (PPS).

O secretário-geral do PSB, deputado federal Renato Casagrande (ES), defende que a direção nacional “encontre um caminho negociado para Garotinho sair do partido”.

Casagrande levará a tese à reunião da executiva nacional. O ato público organizado pelo ex-governador na última terça-feira, chamado Acorda Lula antes que seja tarde foi, para o dirigente socialista, um “fato isolado”.

– Independentemente da manifestação, Garotinho está desrespeitando decisões do partido, não consegue fazer política em conjunto. O PSB já não está mais tendo a colaboração dele – justifica Casagrande.

Com a natural saída da governadora Rosinha, no caso de Garotinho deixar mesmo o PSB, o deputado reconhece que perder o governo de um Estado como o Rio de Janeiro será prejudicial, mas argumenta.

– É melhor perder do que fingir que está tudo bem – completa Casagrande.