Garotinho critica ‘promiscuidade’ entre polícia e tráfico

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Publicado terça-feira, 13 de maio de 2003 as 17:13, por: cdb

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, disse nesta terça-feira que decidiu acabar com os postos de policiamento comunitários em morros e favelas da capital para pôr fim à relação “promíscua” existente entre policiais e traficantes.

Segundo o secretário, a proximidade entre policiais e traficantes cria uma relação inadmissível.

– Há uma promiscuidade muito grande entre a polícia e o tráfico da área -, afirmou.

– Em alguns casos, é incompreensível o que acontece. Como quatro policiais ficam num posto à noite inteira e não acontece nada, e depois três viaturas tentam subir numa favela e não conseguem, pois são recebidas a balas? -, questionou o secretário.

No último domingo (11), três policiais foram recebidos a tiros no Complexo do Alemão e dois deles morreram.

Garotinho defendeu que a polícia deve ter livre acesso a morros e favelas do Rio de Janeiro.

– Tem que ser uma polícia totalmente limpa, não pode ter nenhuma vinculação com agentes fora da lei, muito menos com o tráfico de drogas -, afirmou Garotinho a jornalistas.

Os postos de policiamento comunitário são da Polícia Militar e o secretário pretende substituir esse policiamento por rondas e incursões frequentes.

Desde que assumiu a secretaria, o governo tem adotado a estratégia de ocupação dos morros após alguma ação criminosa. O Morro do Turano, de onde teriam partido os disparos contra uma universidade privada que deixaram uma estudante gravemente ferida, está ocupado desde a semana passada.

Garotinho voltou a falar nesta terça-feira sobre as modificações que têm determinado na estrutura das polícias. No domingo passado (11), divulgou a substituição de dez comandantes de batalhões da PM e na última segunda-feira (12), de dez delegados.

Além disso, o ex-governador também pretende controlar o trabalho paralelo dos policiais, realizado em suas horas de folga.

– Todo mundo sabe que policiais civis e militares trabalham no seu dia de folga. Então é preciso que haja controle sobre esse trabalho. Hoje não há controle nenhum -, afirmou.