Gangue queima crianças vivas em uma igreja

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Publicado terça-feira, 1 de janeiro de 2008 as 20:58, por: cdb

Mais de 30 pessoas, a maioria crianças, foram queimadas vivas, nesta terça-feira, dentro de uma igreja na cidade de Eldoret, no oeste do Quênia. Um funcionário da igreja disse à rede inglesa de TV BBC que corpos de 25 crianças estariam no hospital local e que muitas outras foram socorridas com queimaduras graves. Segundo fontes da polícia e da Cruz Vermelha, cerca de 200 pessoas haviam procurado refúgio na igreja depois que a violência eclodiu no país, em decorrência das eleições presidenciais da quinta-feira passada.

O incidente ocorreu depois que uma gangue cercou e incendiou a igreja onde os refugiados estavam escondidos. As vítimas seriam da mesma etnia do presidente Mwai Kibaki, reeleito na eleições da semana passada. Mais de 120 pessoas foram mortas nos distúrbios desde que a Comissão Eleitoral do Quênia anunciou os resultados no domingo. Segundo a oposição, o número de mortos já teria chegado a 200.

Milhares de policiais e soldados foram enviados a varias partes do Quênia para tentar conter a violência. Ainda segundo a Cruz Vermelha, 70 mil pessoas já teriam deixado suas casas para tentar escapar da violência. Há relatos que muitos estejam cruzando a fronteira com o Uganda. O presidente Mwai Kibaki e seu adversário Raila Odinga pediram que a população coloque um fim à violência.

Moradores e fontes de segurança disseram que as vitimas procuravam proteção na igreja, cerca de 8 quilômetros de Eldoret.

– Alguns jovens vieram até a igreja. Eles lutaram com os garotos que estavam fazendo a segurança, mas esses foram dominados e os jovens colocaram fogo na igreja – disse um repórter local que presenciou o incidente.

A explosão de violência no país que possuia uma das democracias mais estáveis e economias mais fortes da África chocou o mundo e deixou os próprios quenianos aterrorizados, por conta das rivalidades tribais de longa data terem levando comunidades distintas a se enfrentarem. O policiamento estava intenso na capital no primeiro dia do ano, e as ruas estavam tranquilas. Mas a divulgação dos detalhes sobre um crescente número de mortos e da destruição generalizada marca um dos piores momentos do país desde sua independência da Grã-Bretanha.

Num primeiro momento, Washington deu os parabéns a Kibaki, mas então mudou sua reação para expressar “preocupação com as irregularidades”.

Protestos na ONU

Ainda nesta terça-feira, observadores europeus colocaram em dúvida a lisura das eleições presidenciais. Em um relatório preliminar sobre a missão de observação da votação, a União Européia diz que a eleição teve falhas e ficou aquém dos padrões internacionais. Quatro dos membros da comissão eleitoral do Quênia disseram concordar com as afirmações dos observadores europeus, dizendo ter dúvidas sobre a veracidade dos números da contagem final de votos.

Os incidentes mais graves de violência ocorreram em Kisumu, a terceira maior cidade do país, onde mais de quarenta corpos com ferimentos a bala foram levados ao necrotério da cidade. O candidato da oposição Raila Odinga disse à BBC que grande parte da população está enfurecida com uma possível fraude na contagem dos votos.

O presidente Kibaki pediu calma a população.