Galo da Madrugada leva mais de 1 mi às rua em Recife

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Publicado sábado, 1 de março de 2003 as 20:01, por: cdb

A campanha Fome Zero e o conflito envolvendo os EUA e o Iraque inspiraram fantasias e brincadeiras no desfile de ontem do Galo da Madrugada, maior bloco carnavalesco do mundo, segundo o “Guinness Book”, o livro dos recordes.

Foliões em grupos ou solitários se vestiram para homenagear o carro-chefe dos programas sociais do governo federal ou ironizar a briga entre o ditador Saddam Hussein e o presidente norte-americano, George W. Bush.

O comerciante Vital Toscano de Brito, 46, desfilou vestido com um saco de estopa e um chapéu de couro. No corpo, pendurou uma faixa com a inscrição “Fome Zero” e carregou durante toda a festa uma cesta básica com alimentos e produtos de limpeza.

Um grupo de foliões criou o bloco “Pau-de-Arara Blindado” e saiu às ruas satirizando a viagem do então retirante, hoje presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da cidade pernambucana de Caetés à capital paulista. “Clones” de Lula e da primeira-dama, Marisa, seguiram à frente do bloco.

Aproveitando as tradicionais fantasias de árabe, várias pessoas também se divertiram carregando cartazes contra a guerra e pedindo paz. Foliões também lembraram a CPI do grampo.

O Galo, que este ano estima ter arrastado pelo menos 1,5 milhão de pessoas _ a Polícia Militar não avaliou a multidão_ saiu pontualmente às 10h, após um show pirotécnico.

Com o tema “o mundo do circo”, o bloco desfilou por cerca de quatro quilômetros, do forte das Cinco Pontas até o centro da cidade. Na cabeceira da ponte Duarte Coelho, sobre o rio Capibaribe, local da apoteose, foi montado um palco para show que deverão ser realizados até o final da noite.

A chuva que antecedeu o desfile e caiu em alguns momentos da festa não afastou os foliões. O bloco contratou 30 trios elétricos para animar a multidão.

A folia em Pernambuco continua amanhã com shows e a passagem de blocos e troças em Olinda e Recife. A maior atração do dia, entretanto, está no Agreste: é o Carnaval de máscaras de Bezerros, popularizado pelas figuras conhecidas por “papangus”.

Na festa, todos brincam cobertos da cabeça aos pés. Só no final da tarde os foliões revelam suas verdadeiras identidades.