Gado com vaca louca foi importado do Canadá

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Publicado sábado, 27 de dezembro de 2003 as 17:27, por: cdb

O gado infectado com o mal da vaca louca encontrado em uma fazenda em Washington foi importado para os Estados Unidos do Canadá há cerca de dois anos, sugeriram investigadores americanos.

O doutor Ron DeHaven, veterinário chefe o Departamento de Agricultura dos EUA, disse que oficiais canadenses entregaram documentos que indicam que o animal fazia parte de um rebanho de 74 vacas que foram vendidas em Alberta, Canadá.

– Esses animais eram todos leiteiros e entraram nos EUA apenas há dois ou dois anos e meio, então a maioria deles ainda está vivo – disse DeHaven.

Ele enfatizou que pelo fato de um gado estar infectado não significa que todo o rebanho de 74 cabeças possa ter a mesma doença.

Ainda neste sábado a Coréia do Sul suspendeu formalmente a importação de carne bovina e derivados dos EUA, decisão que havia sido anunciada há dois dias. Esse país é o segundo maior importador de carne bovina americana, no total de US$ 610 milhões por ano.

O governo sul-coreano ordenou aos importadores que peçam a devolução de todos os derivados que já foram distribuídos ao mercado, para destruí-los.

A suspensão formal da importação de carne americana foi seguida também por Kuwait e Egito. Com isso, os EUA já perderam mais de 90% de seu mercado de exportação de carne.

Embora nenhuma estimativa oficial tenha sido divulgada, o prejuízo para a indústria da carne bovina americana, com o surgimento do primeiro caso da doença da vaca louca, poderia chegar a US$ 15 bilhões. A estimativa foi feita em março de 2001 por Bernard Schwetz, então diretor da Food and Drug Administration (FDA), órgão do governo dos Estados Unidos responsável pelos alimentos e remédios.

Em depoimento ao Congresso, Schwetz afirmou na época que se a encefalopatia espongiforme bovina (EEB) atingisse os EUA com a intensidade com que atingiu a Grã-Bretanha, em 1988, haveria um impacto óbvio na saúde pública, e um impacto monumental na indústria de carne bovina.

– Calculo que os prejuízos iniciais superariam os US$ 15 bilhões – disse ele.

A doença da vaca louca foi detectada na Grã-Bretanha em 1986, e o prejuízo econômico no primeiro ano do surto ficou entre US$ 1,04 bilhão e US$ 1,07 bilhão. Neste sábado, Schwetz não foi encontrado para comentar sua previsão.

Anteriormente, fontes do setor de segurança de alimentos previram que se a doença se espalhasse nos EUA com a intensidade com que se propagou na Grã-Bretanha, cerca de 300.000 reses teriam de ser abatidas.

Na sexta-feira, William Hueston, diretor do Centro de Saúde Animal e Saúde dos Alimentos da Universidade de Minnesota, e ex-diretor do Departamento da Agricultura, disse que não se surpreenderia se dezenas de animais infectados fossem descobertos nos EUA.

O FDA havia admitido que os criadores de gado americanos perderiam no mínimo US$ 12 bilhões, “supondo-se que os Estados Unidos precisassem abater quatro vezes mais gado do que o Reino Unido abateu”.

Até que a EEB fosse controlada, na década de 90, a Grã-Bretanha perdeu aproximadamente US$ 7 bilhões.

Os EUA exportam US$ 6 bilhões em carne bovina e derivados por ano.

Calcula-se que 143 britânicos morreram por ingerir carne contaminada pelo EEB. Com base nesta informação, parentes e amigos de pessoas que morreram do Mal de Creutzfeldt-Jakob (distúrbio fatal associado ao consumo de carne de gado infectado pelo EEB) nos Estados Unidos começam a indagar se as mortes teriam decorrido da ingestão de carne americana contaminada.

Os sintomas do Mal de Creutzfeldt-Jakob – médicos alemães que descobriram a associação entre o consumo dessa carne e o surgimento do distúrbio – são confusão mental, depressão, alterações comportamentais e perda parcial da visão e da coordenação. Ela ocorre espontaneamente, e ataca 1 em cada 1 milhão de pessoas. É incurável e sempre fatal. Para muitos cientistas, uma variante desse mal foi responsável pela morte de dezenas de pe