Gabrielli: produção de sondas para exploração do pré-sal levará a desenvolvimento tecnológico

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Publicado sexta-feira, 25 de setembro de 2009 as 11:58, por: cdb

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse nesta sexta-feira que o Brasil vai produzir 28 sondas até 2013, visando à extração de petróleo da camada do pré-sal. Segundo ele, o país paga entre US$ 500 mil e US$ 600 mil por dia apenas para alugar esse tipo de sonda.

– Para produzirmos petróleo a partir do pré-sal precisamos montar indústrias. Não é botar um canudinho e puxar o petróleo. É necessário perfurar, e para isso, precisamos de sondas, e esse é um equipamento extremamente complexo –, disse Gabrielli.

Ele participou hoje de  debate sobre o marco regulatório e os desafios tecnológicos do pré-sal, no Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea).

– Por isso estamos contratando 28 sondas para serem produzidas no Brasil e entregues a partir de 2013 –, completou.

A perspectiva apontada pelo presidente da Petrobras é a de que o aumento da produção se dê nas áreas que fazem fronteiriças às atividades econômicas.

– Para prover a extração desse petróleo, precisamos intensificar a indústria fornecedora dedicada a fabricar equipamentos para essa extração. Isso requer o desenvolvimento de tecnologias e a montagem de uma infraestrutura adequada, além, é claro, do conhecimento técnico necessário para tanto. Isso é bastante positivo, pois nos ajudará a fortalecer a indústria nacional e diminuirá o risco da doença holandesa–, afirmou.

O presidente da Petrobras se referiu ao que ocorreu nos anos 60 na Holanda, quando o excesso de exportações de gás reduziu as vendas externas de outros produtos, por falta de competitividade.

Gabrielli, no entanto, manifestou preocupação com os riscos decorrentes desse pioneirismo tecnológico no Brasil. – Somos o grande comprador mundial desse tipo de equipamento. Por isso, teremos um dilema decorrente da necessidade de acelerar investimentos, conciliando a necessidade de acelerar as compras com a necessidade de reduzir custos, convergindo para preços internacionais competitivos –, disse.

A resposta foi apresentada pelo próprio presidente da Petrobras. Segundo ele, esses preços tenderão a diminuir com o tempo, como já ocorreu com alguns navios comprados pela empresa.

– O primeiro será mais caro, mas a situação tenderá ao equilíbrio à medida que novas compras forem realizadas –, argumentou.