Gabinete israelense autoriza represálias a atentado terrorista

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Publicado quarta-feira, 8 de maio de 2002 as 22:36, por: cdb

O gabinete israelense autorizou no início da madrugada desta quinta-feira, hora local, o primeiro-ministro Ariel Sharon a tomar todas as medidas necessárias para uma retaliação ao atentado terrorista que matou 15 pessoas e feriu outras 60 na cidade litorânea de Rishon Letzion, cerca de 20 quilômetros ao sul de Tel Aviv.

Autoridades israelenses advertiram que a resposta ao novo atentado terrorista será “abrangente e dura”. Em Washington, o presidente George W. Bush, falando ao lado do rei Abdullah, da Jordânia, disse esperar que Sharon “mantenha sua visão de paz na mente” quando se decidir pela resposta que dará ao atentado suicida acontecido na véspera perto de Tel Aviv.

A decisão do gabinete seguiu-se a um pronunciamento sem precedentes do presidente da Autoridade Palestina Yasser Arafat condenando em árabe o atentado e anunciando ter ordenado às forças palestinas que tomassem as medidas necessárias para novos ataques terroristas a civis israelenses.

A reação de Arafat
O anúncio aconteceu menos de 24 horas após um homem-bomba palestino ter causado a morte de 15 pessoas e deixado cerca de 60 feridos em um salão de bilhar nas proximidades de Tel Aviv.

O ataque foi recebido com grande irritação pelo primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, que decidiu encurtar a viagem que fazia aos Estados Unidos e prometeu que “a batalha continuará”.

Salão de bilhar ficou totalmente destruído com a explosão
Arafat divulgou um comunicado dizendo: “Dei ordens às forças de segurança palestinas para que confrontem e evitem quaisquer operações terroristas contra civis israelenses, originadas de qualquer parte palestina”. O dirigente orientou, ainda, as forças de segurança a empregar o mesmo empenho demonstrado nas respostas a agressões de soldados israelenses e colonos judeus contra civis palestinos.

Arafat também conclamou os Estados Unidos a dar apoio logístico às forças de segurança palestinas, para garantir que as mesmas possam cumprir suas obrigações sem serem alvejadas pelo Exército israelense.

Na quarta-feira, em sua primeira reação ao ataque, Arafat disse que a ação do homem-bomba na cidade de Rishon Letzion, a 20 quilômetros de Tel Aviv, provocava “um grande impacto negativo” sobre a causa palestino.

Arafat antecipou que Sharon, agora, teria um “pretexto para dar prosseguimento à agressão contra cidadãs, vilarejos e campos de refugiados palestinos”. A caminho de Israel, Sharon, de fato, avisou que “a batalha continuará até que todos aqueles que acreditam poder lucrar com o uso do terrorismo parem de existir. Parem de existir”.

“Aquele que se erguer para nos matar será, antes, morto por nós”, concluiu.

Sharon convocou uma reunião de emergência de seu gabinete para discutir a resposta que dará ao atentado assim que chegasse a Israel. E rotulou a Autoridade Palestina como “uma entidade corrupta e terrorista”. Após o atentado, militares israelenses prenderam 17 palestinos em diversas operações pela Cisjordânia, alvejando suspeitos de terrorismo.