Futuro da Estação Espacial Internacional é debatido na Nasa

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Publicado terça-feira, 25 de fevereiro de 2003 as 19:43, por: cdb

A Nasa está envolvida em negociações sobre como manter e ocupar a Estação Espacial Internacional, já que os vôos da frota de ônibus espaciais foram suspensos após o desastre do Columbia, disse na terça-feira uma autoridade da agência espacial dos Estados Unidos.

Michael Kostelnik, que comanda os programas de ônibus espaciais e da estação internacional, disse que os 16 países participantes do posto espacial – entre eles o Brasil – precisam decidir em breve se mandarão uma nova tripulação a bordo da nave russa Soyuz, programada para partir em abril.

Kostelnik espera que uma decisão seja tomada “no máximo na próxima semana”.

“Na verdade estamos em debates com todos os parceiros, não somente com os russos, com todos os parceiros internacionais (da estação espacial)”, disse Kostelnik em entrevista por telefone.

Ele disse que na semana passada ocorreram reuniões da Comissão Multilateral de Coordernação, do Painel Multilateral de Operações de Tripulação e do Corpo de Controle da Estação Espacial.

“O tema de todos os encontros foi precisamente esta discussão: quais são as necessidades para manter a tripulação com segurança lá em cima; o que é necessário para manter a Estação Espacial Internacional em segurança e viável e então quais são os desafios para se chegar a isso?”, disse Kostelnik.

A tripulação atual da Estação de 95 bilhões de dólares é formada por dois norte-americanos e um russo. Segundo a programação eles deveriam voltar para casa em março, a bordo de um ônibus espacial.

Mas os vôos dos outros três ônibus espaciais foram suspensos após a desastre do Columbia no ar em 1 de fevereiro, que também colocou em dúvida o futuro imediato da estação.

TRIPULAÇÃO DE DOIS?

Os suprimentos da estação duram até junho, quando o estoque de água começará a ficar baixo, disse a Nasa. Assim, a atual tripulação precisar receber suprimentos, ou voltar para casa. Também está sendo debatido se a próxima tripulação será formada por dois ou três pessoas.

O momento para treinar uma tripulação substituta, que voaria a bordo da Soyuz em abril, é agora.

“Se mudarmos a tripulação, temos que treiná-la para isso… e isso precisa começar muito em breve”, disse Kostelnik.

Dois membros da tripulação demonstraram na segunda-feira como poderiam entrar em seus trajes espaciais sem a ajuda de um terceiro tripulante.

Caso a nova tripulação tenha apenas dois membros, Kostelnik disse que provavelmente serão um russo e um norte-americano.

Uma das dificuldades para o uso da Soyuz é a necessidade de dinheiro para a Rússia. A Lei de Não-Proliferação Iraniana (da sigla em inglês INA), aprovada no ano 2000 pelo Congresso dos EUA, proíbe o país de passar financiamento extra até Moscou provar que não está ajudando nos programas de mísseis balísticos do Irã.

“Apesar de os russos terem a obrigação de providenciar a troca de tripulação… está claro que os russos têm dificuldades financeiras e, de acordo com a lei INA, não podemos fornecer apoio financeiro direto”, disse Kostelnik.

“Então precisamos fazer estes ajustes em acordo com os outros parceiros internacionais”, disse.

Uma das possibilidades é a agência espacial russa fornecer parte dos recursos. Entre os outros parceiros internacionais estão as agências internacionais da Europa, Canadá e Japão.

Kostelnik disse que a diplomacia dos EUA sobre uma possível guerra com o Iraque não afetou as negociações da Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço a respeito da estação espacial. “Não acho que a guerra tenha feito uma diferença notável neste tema.”