Furlan anuncia empréstimos de US$ 500 milhões

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Publicado sexta-feira, 28 de março de 2003 as 13:47, por: cdb

O Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) devem anunciar a liberação de mais de US$ 500 milhões para programas sociais e de financimento de exportações brasileiras.

“Serão pouco mais de US$ 500 milhões para o Fome Zero, outros programas sociais e linhas de crédito, mas não tenho os detalhes”, disse o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, que estava em Londres nesta quinta-feira.

A liberação dos recursos deve ser anunciada neste sábado, em Brasília, em churrasco oferecido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn, e ao presidente do BID, Enrique Iglesias.

Os repasses do Banco Mundial e do BID dependem de contrapartida dos governos, o que afetaria os limites de endividamento do setor público. Por isso, os dois bancos devem anunciar formas de transferência que seguem as regras das duas instituições, mas não prejudicam a austeridade fiscal.

Nova meta

Para contornar esse obstáculo, o BID vem liberando recursos para linhas de crédito por meio de empréstimos a bancos brasileiros, que repassam os recursos no financiamento de exportações.

Furlan informou também que na próxima semana o governo deve anunciar uma meta de crescimento das exportações brasileiras superior aos 10% que estavam previstos para este ano.

Ele não quis adiantar qual será a nova meta, porque depende de avaliação dos estudos técnicos a ser feita neste fim de semana.

Com a elevação das exportações, segundo ele, o Brasil fica menos dependente dos investimentos diretos estrangeiros que devem cair este ano para US$ 13 bilhões, de acordo com estimativas do Banco Central.

“Na segunda-feira vamos estar com o presidente Lula e possivelmente anunciar uma meta ainda mais agressiva de crescimento das exportações, o que nos dá tranqüilidade nesse front de depender menos do investimento direto”, disse.

O ministro afirmou que os estudos feitos indicam que muitos setores estão tendo um desempenho de exportação acima do previsto.

Entre eles, o setor automotivo deve exportar 20% a mais neste ano em comparação a 2002.

Na área agrícola, o desempenho deve ser bem superior ao previsto, segundo o ministro, porque no começo do ano não havia convicção de que a safra não seria afetada por causa do tempo, mas agora a colheita já está avançada.

“Só no agribusiness vamos ter um aumento de US$ 3 bilhões nas exportações”, segundo Furlan.

O ministro disse que a exportação de calçados também deve aumentar acima das previsões iniciais, com a penetração em outros mercados, como a Rússia.

A recuperação da economia argentina também deve permitir um aumento das exportações brasileiras. Segundo Furlan, por causa da crise no ano passado, só as vendas de calçados caíram 98% em comparação a 2001.

Apoio

Furlan se encontrou com a ministra da Indústria e Comércio da Grã-Bretanha, Patricia Hewitt, e ela pediu apoio do Brasil para “destravar” as negociações da rodada de liberalização da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Segundo o ministro, ela quer que os negociadores brasileiros ajudem a encontrar uma solução para o impasse na questão de quebra de patentes para medicamentos. Para Furlan, uma atuação do Brasil depende de maior abertura da União Européia (UE) na área agrícola.

“Ela disse que o Brasil talvez pudesse ajudar no entendimento nessa questão das patentes. E eu respondi que, talvez, a União Européia talvez pudesse fazer uma abertura na área agrícola na OMC e nós, em contrapartida poderíamos ajudar a trabalhar nesse sentido”, contou.

“Não o inverso, nós tomarmos iniciativa de atender o que eles querem, quando o que nós queremos não dá um passo à frente”, contou Furlan.

As negociações da rodada da OMC estão emperradas por dois motivos principais.

Nas negociações agrícolas, UE está entre os países que resistem fortemente à proposta de reduzir subsídios a seus produtos, e também de eliminar barreiras de acesso a seu mercado.

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