Furacão: delegado diz que setores da PF eram contrários às ações contra bingos

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Publicado quinta-feira, 31 de maio de 2007 as 21:50, por: cdb

Prestou depoimento nesta quinta-feira à juíza Ana Paula Vieira de carvalho, da 6ª Vara Federal Criminal do Rio, o delegado da Polícia Federal em Niterói, Carlos Pereira da Silva. Ele foi preso em abril pela Polícia Federal durante a Operação Furacão, que desarticulou uma suposta quadrilha que comprava sentenças judiciais para favorecer casas de bingo e de caça-níqueis.

Pereira é acusado de vazar informações para a suposta quadrilha. Em depoimento, ele negou fazer “jogo duplo”, trabalhar para a PF e vazar informações para a máfia do bingo. Ele afirmou ainda que sempre realizou ações contra bingueiros e que seu nome deve ter sido envolvido com o caso por setores descontes da própria PF e favoráveis à quadrilha.

No depoimento, Pereira admitiu conhecer o delegado federal aposentado Luiz Paulo Dias de Mattos também preso pela PF. Segundo Pereira, Mattos gostava de dizer que era influente dentro da PF e que vivia prometendo que iria aproximá-lo da cúpula da instituição, prometendo-lhe, inclusive, uma superintendência.

Pereira, negou, entretanto, ser amigo de Mattos. Ele admitiu ter se encontrado uma vez no Barra Shopping (zona oeste do Rio) com Mattos e com Marcos Bretas, delegado da Polícia Civil de Niterói, também preso pela PF. Bretas é acusado de ser o elo entre os bingueiros e o Poder Judiciário.

O advogado de Pereira, Paulo Gazula, disse que a denúncia contra todos os acusados é muito vaga.

Susie Pinheiro Dias de Mattos, corregedora-geral da Agência Nacional de Petróleo, e Bretas também foram chamados a depor nesta quinta. No entanto, eles ficaram calados alegando que iriam recorrer ao direito constitucional de não produzirem próprias contra si mesmos. Eles depuseram nesta quinta porque como servidores públicos tiveram o direito de apresentar defesa prévia.