Funai lamenta assassinato de sertanista em Porto Velho

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado domingo, 10 de outubro de 2004 as 16:26, por: cdb

A morte do sertanista Apoena Meirelles, baleado na noite de sábado em Porto Velho, Rondônia, deixou os funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai) abalados e sem compreender o crime, afirmou neste domingo o presidente da Funai, Mércio Pereira Gomes.

“Isso abalou a todos nós, que temos trabalhado com ele, e os que o conhecem há muitos anos. A Funai inteira não consegue entender o que aconteceu a uma pessoa que, talvez, era o mais antigo de todos os funcionários”, declarou o presidente da Funai, segundo informou a Agência Brasil.

Apoena foi morto com dois tiros ao sair de um caixa eletrônico na capital de Rondônia, acompanhado por uma funcionária da Funai. Segundo Pereira Gomes, Apoena estava numa missão com os índios cinta-larga para lhes comunicar a decisão do governo federal de fechar um garimpo na região, rica em minerais como cassiterita, ouro e diamantes.

Segundo o presidente da Funai, as investigações das Polícias Militar e Federal devem revelar se foi uma fatalidade ou mesmo um crime encomendado. “Tem que esperar as investigações, ver o que foi isso, se foi uma dessas tragédias brasileiras de assalto a mão armada ou se tem uma implicação mais cruel e feroz relacionada com os cintas-larga”, afirmou.

Apoena Meirelles, 55 anos, havia se aposentado na Funai, mas foi convidado a voltar e ocupava o cargo de Coordenador Regional da Região de Rondônia, onde mantinha contatos com os povos uruí, soro e os cintas-larga de Rondônia e da reserva de Apurinã, no Mato Grosso.

O corpo de Meirelles deve chegar a Brasília na noite de domingo, onde será realizada uma homenagem na sede da Funai, segundo a Agência Brasil, mas o enterro está previsto para segunda-feira, no Rio de Janeiro.