Frente denuncia impactos ambientais e sociais por uso de pesticidas no cultivo de abacaxi

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Publicado terça-feira, 27 de setembro de 2011 as 14:50, por: cdb

A Frente Nacional de Setores Afetados pela Produção de Abacaxi (Frenasapp) divulgou nota recentemente sobre o uso de pesticidas no cultivo da fruta na Costa Rica e as consequências que tem gerado impactos ambientais e sociais. O crescente aumento na produção de abacaxis nos últimos 10 anos tem tornado a Costa Rica o maior produtor da fruta em todo mundo. Entre 2007 e 2010, o país passou a transportar de 1.566,152 toneladas para 4.116,600, somente em 2010, o que tem feito a área de cultivo aumentar consideravelmente de 54 mil hectares para 60 mil.

Em nota, a Frente Nacional relata, no entanto, que esse mérito trouxe danos à população como impactos ambientais, contaminação de águas subterrâneas e superficiais, drenagem de zonas úmidas, destruição de bosques primários e secundários, geração de pragas de mosca stomoxys calcitrans, entre outros.

De acordo com a organização, os impactos afetaram diretamente as comunidades próximas às áreas de cultivo, para as quais foi negado, por parte de instituições públicas, o direito a necessidades básicas como direito humano à vida, à saúde, a um ambiente saudável, direito ao acesso à água e ao trabalho decente.

No que diz respeito à saúde, por exemplo, foi observada maior incidência de problemas gástricos e de pele, assim como câncer e outras enfermidades como más formações.

O documento da Frente questiona o papel da Plataforma Nacional de Produção e Comércio Responsável pelo Abacaxi, e taxa o trabalho desta Plataforma de “maquiagem verde” que tem como único propósito aumentar as vendas da fruta no mercado internacional.

Prova disso, é a participação de grandes empresas exportadoras na Plataforma “assim como as instituições do estado que promovem e impulsionam a atividade como Promotora do Comércio Exterior da Costa Rica (Procomer) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAG).

Diante das inúmeras denúncias, a Frenasapp solicita, desde 2008, que se decrete uma moratória à expansão do abacaxi até que: haja um planejamento do cultivo; seja exercido controle sobre a produção; sejam realizados estudos que demonstrem que as atuais atividades não causam impactos ao ambiente, às comunidades e a saúde; e se garanta a observância das empresas à legislação ambiental, sanitária, social e trabalhista no país.