Fraude na diplomação da Guarda Municipal

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Publicado sexta-feira, 16 de novembro de 2001 as 10:26, por: cdb

Guardas Municipais do Rio recebem certificados falsos do Ensino Médio
Nem os guardas municipais do Rio escaparam do fantasma dos cursos supletivos. Depois de pagarem R$ 500, em cinco vezes, ao Sindicato da Guarda e tirarem o diploma do Ensino Médio pelo colégio paulista São José de Vila Zelina, descobriram que todos os certificados haviam sido anulados pelo Conselho Estadual de Educação de São Paulo. Motivo: o colégio, que está sob sindicância, não tinha permissão para aplicar provas de supletivos.
O guarda Álvaro (nome fictício) foi uma das vítimas. Com o sonho de crescer na carreira, resolveu tirar o diploma do Ensino Médio. Por isso, não perdeu a oportunidade que surgiu em agosto do ano passado, quando o sindicato montou a primeira turma de supletivo. Assim como seus colegas, foi a São Paulo, em dezembro, fazer o exame. “Confiamos que era verdadeiro porque o Departamento de Assuntos Internos da Guarda disse que tinha ido ao colégio e verificado tudo”, explica Álvaro, que não quis se identificar, temendo represálias.
O sindicato se defende. Segundo o presidente da entidade, Rogério Chagas, tudo foi analisado corretamente. “Temos documentos mostrando a permissão que o São José tem para expedir diplomas. Mas vamos esperar a conclusão da sindicância para saber que decisão tomar. Os trabalhadores não ficarão sozinhos”, garante Chagas.
Somente o Estado pode aplicar provas de supletivos
Segundo a Secretaria de Estado de Educação de São Paulo, as pessoas que tiveram seus certificados emitidos por esse colégio devem procurar a secretaria do Rio para fazer novos exames supletivos. As inscrições para as provas deste ano, no entanto, já estão encerradas. A Secretaria decidiu realizar dois exames anuais a partir do ano que vem – em julho e em novembro. Vale lembrar que a prova é gratuita.
Para que outras pessoas não passem pelo mesmo problema, o subsecretário de Planejamento do Sistema Escolar, Rivo Gianini, alerta: “Somente o estado pode aplicar e emitir certificados de supletivo. Quanto ao ensino a distância, o curso tem de estar credenciado na secretaria”.
O curso que funciona na Rua Senador Dantas 117, sala 832, Centro, denunciado pelo DIA em reportagem publicada no sábado, já estava sendo investigado pela Delegacia de Defraudações. Depois de terminada a investigação, o inquérito será instaurado. Esse supletivo também mantém parceria com o Instituto Instituto Brasileiro de Tecnologia Educacional (IBTE), do Ceará, proibido de emitir certificados. “A polícia já está agindo contra esse Instituto”, garante Rivo.