Franco-atirador avisa: ‘Suas crianças não estão seguras em nenhum lugar’

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Publicado quarta-feira, 23 de outubro de 2002 as 12:55, por: cdb

A mensagem atribuída ao franco-atirador de Maryland, e lida pelo chefe do grupo especial de investigações, Charles Moose, manda um recado à já aterrorizada população do estado: “Suas crianças não estão seguras, em nenhum lugar, em hora alguma”. Em sumária apresentação à imprensa, Charles Moose disse ter decidido ler essa parte da mensagem para pôr fim às especulações em torno da carta atribuída ao franco-atirador.

Acrescentou que a polícia recebeu outra “comunicação”, que terá resposta “em breve”. Mas se recusou a falar de seu conteúdo. No ínicio do dia, o chefe das investigações havia sido muito questionado sobre a razão pela qual alguns condados tiveram suas escolas totalmente fechadas, enquanto escolas de outros condados e municípios prosseguiam com as aulas.

Após ler o que estava exatamente escrito no post-scrip da mensagem, Moose ressaltou que tomara tal iniciativa por “reconhecer as preocupações da comunidade”.

O chefe de polícia também disse que as autoridades locais estavam cientes das advertências e levando-as em consideração nas decisões sobre as medidas de segurança que estavam sendo adotadas.

Especula-se que a mensagem do franco-atirador também faz referência a uma exigência de dinheiro para parar com os assassinatos.

Novo assassinato

A polícia do condado de Montgomery, no estado norte-americano de Maryland, está investigando um novo assassinato, ocorrido na manhã desta terça-feira, mas afirmou que ainda é muito cedo para dizer se está relacionado aos ataques de um franco-atirador que, desde o dia 2 de outubro, já matou nove pessoas e feriu três na área de Washington.

A vítima desta terça-feira foi um motorista de ônibus, baleado com um tiro no peito às 5h56 (6h56, hora de Brasília), em Silver Springs. Imediatamente, carros e helicópteros da polícia convergiram para a cena do crime, que fica perto de um bosque. Estradas foram bloqueadas numa tentativa de impedir a fuga do atirador, mas não houve detenções.

O crime ocorreu numa área próxima dos locais onde aconteceram vários dos ataques do franco-atirador. Seis dos ataques anteriores foram em Montgomery. No primeiro, não houve vítimas, mas cinco pessoas foram mortas nas mesmas circunstâncias, nos dias 2 e 3 de outubro.

O motorista foi levado para um hospital e submetido a uma cirurgia, mas não resistiu ao ferimento e morreu quatro horas depois. As autoridades identificaram a vítima como Conrad Johnson, de 35 anos, casado e pai de duas crianças.

Johnson trabalhava há 10 anos na empresa de ônibus, onde era muito querido. “Ele amava o basquete e amava seus filhos”, disse um porta-voz da cidade. “Vai fazer muita falta”.

Na segunda-feira, uma fonte ligada às investigações disse à CNN que um homem que seria o franco-atirador telefonou para a polícia, possivelmente usando um aparelho para disfarçar sua voz.

O chefe da polícia de Montgomery, Charles Moose, lançou um apelo para que o possível franco-atirador “ligasse de novo”.

“A pessoa para quem você ligou não conseguiu ouvir nada do que você dizia”, declarou Moose. “O áudio não estava claro, e nós queremos tê-lo funcionando bem. Telefone novamente para que possamos entendê-lo claramente”.

Também na segunda-feira, dois homens foram detidos como parte das investigações do caso. Mas, horas depois, ficou claro que eles não tinham relação com o franco-atirador.

Fontes disseram que os detidos seriam um mexicano e um guatemalteco que viviam ilegalmente nos Estados Unidos e, por essa razão, seriam deportados.